O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Somos amantes
Inter-seccionados.

Esquecemos o Mundo.
Fechamo-nos
Nas nossas próprias conchas.

Esquecemos os Homens.
Queremos ser só nós.
Nada mais importa!

O Amor preenche-nos.
Por completo
Alimenta
Os nossos corpos
Ardentes,

As nossas almas
Inundadas
De intensa alucinação.

Temo-nos,
Apenas,
Um ao outro.
E isso basta-nos.
É mais do que Tudo.
Está para além do Nada.

Tornamo-nos esféricos
Auto-suficientes.
Esquecemos o Universo.
Permanecemos
Em todos os espaços.

Somos o mesmo corpo
A mesma alma
O mesmo sangue
O mesmo plasma
A mesma pele...

Somos um só organismo
Que se auto-preenche,
Prenhe de fertilidade.

Esquecemos a Vida,
Vadia,
Repleta de futilidades.

Esquecemos a morte
Somos eternos!

Isabel Rosete