O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

MINI-TORNADO

é o ar enrolado
enredemoinhado

que resulta
de a Natureza
ao fim da luta

de contente
estralar
os dedos

12 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Se os dedos quer estralar
de contente ou jubilosa,
que vá para o alto-mar
a Natureza raivosa!

JCN

Julio Teixeira disse...

Em homenagem ao mar e a quem tanto nele andou e cantando seus heróis



Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal que mata e não se vê:

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei por quê.

Luiz Vaz de Camões

baal disse...

boa júlio e platero. deixaram o 'supracamões' calado.
à luta
o camões com o qual nos chateávamos na escola é o mesmo que o jmb cantou 'mudam-se os tempos, mudam-se as vontades' e o mesmo que nos transmite eternamente a esperança. porque no fundo 'a vida não é uma auto-estrada.

Magno Jardim disse...

Tremenda escadaria
De degrau em degrau
Andar em andar
De fazer e chegar.

E nos eternos céus murmurar
Poesias de encantar.

Fazem dele o Homem que é
Que vem dos céus à terra retornar
Ahhh, mas que bela poesia de embalar.

:)
Saudações fraternas

João de Castro Nunes disse...

Ao meu jeito, na melhor das intenções:

Que tremenda escadaria.
a qual, de andar em andar,
pela mão da poesia
nos permite lá chegar!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Isso é o que tu pensas, caro BAAL! Espera... para ver! JCN

João de Castro Nunes disse...

Que vem o Camões... aqui fazer?!... Não atino! JCN

Julio Teixeira disse...

Camões não está aqui pra provocar ninguém.
Só para celebrar a arte e quem a faz bem feita.

João de Castro Nunes disse...

Para o efeito, caro Amigo Júlio, tudo tem o seu lugar e o seu tempo! Fora isso... é descabido e presta-se a maus pensos. JCN

João de Castro Nunes disse...

Em improvisada réplica, aqui vai ao meu jeito:

Que mal foi este, Amor, que me fizeste
que a paz se me acabou de todo em vez
e em névoa o coração se me desfez,
já nada havendo que me não moleste!

Não mais tive alegria na existência,
prazer em coisa alguma, algum contento,
tudo o vento levando num momento
sob a tua penosa dependência!

Bonança, placidez e quietude
perdi por causa tua, sem remédio,
Amor, ao mesmo tempo doce e rude!

Que mal foi este, Amor, que me causate
e a alma entorpecida pelo tédio
em deleitosa dor a torturaste!

JOÃO DE CASTRO NUNES

JOÃO DE CAS TRO NUNES

João de Castro Nunes disse...

Aqui vai outro, no mesmo tom:

TRANSMUTAÇÃO

Polarizaste, amor, todo o meu ser
sem volta a dar-lhe, da cabeça aos pés,
não mais querendo, amor, do que viver
contigo... contra ventos e marés!

Perdi minha vontade de ser eu
para contigo me identificar:
somos um só, pois foi nisso que deu
minha atracção por ti... tão singular!

Como Camões diria, do seu jeito,
me transformei na criatura amada,
em ti me aniquilando... satisfeito.

Um dia, quando a Deus prestarmos conta
das nossas vidas, pouco ou nada monta
da tua, amor, minha alma separada!

JOÃO DE CASTRO NUNES

Fausta disse...

Que belo rapsodo Pindérico me saíste, Mestre!