O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

folhinhas





“Dou-te um nome de água
para que cresças no silêncio.

Invento a alegria
da terra que habito
porque nela moro.

Invento do meu nada
esta pergunta.
(Nesta hora, aqui.)

Descubro esse contrário
que em si mesmo se abre:
ou alegria ou morte.

Silêncio e sol – verdade,
respiração apenas.

Amor, eu sei que vives
num breve país.

Os olhos imagino
e o beijo na cintura,
ó tão delgada.

Se é milagre existires,
teus pés nas minhas palmas.

O maravilha, existo
no mundo dos teus olhos.

O vida perfumada
cantando devagar.

Enleio-me na clara
dança do teu andar.

Por uma água tão pura
vale a pena viver.

Um teu joelho diz-me
a indizível paz.”

Teu Corpo Principia, de António Ramos Rosa

5 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Quando é que acaba?!... JCN

Magno Jardim disse...

Em claras nuvens me vou
Canto a todo o mundo
Da pergunta que deus fez.

Um amor profundo.

Amar outra vez
Como o sol a terra
O mar á lua
Na tua companhia vou.

Sorriu de novo.

Num universo de luz
A brilhar
Estrela
Um suspiro de liberdade.

Em suspenso presente
Me dou.

Em alegria me vou.

João de Castro Nunes disse...

E nós em tristeza... ficamos. JCN

Anaedera disse...

Fazer de novo, sempre!
Renascer o sonho,
Simplesmente sorrir, como algo eterno
Dentro da luz do próprio sol,
Pois verdadeiramente nunca ninguém se deu, como nada acabou!

Magno Jardim disse...

Folhinha
:)