O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 12 de junho de 2009

E a propósito da Literatura... dos Livros...

O que é a Literatura a não ser aquilo que arrancou o Homem da ignorância e da escravatura uma e outra vez ao longo de todas as eras? O que é a Literatura senão aquilo que produziu filósofos, artistas, repúblicas, educação, alimento e saúde para (não) todos (mas enfim, pelo menos para alguns)? O que é a Literatura senão aquilo que nos levou ao espaço e que conduz a vida à sobrevivência para além do sol e quiçá à eternidade? O que é a Literatura a não ser a ignição dos mais profundos sonhos do Homem? O que é a Literatura a não ser aquilo que nos impede de andarmos a lamber o pó da terra? O que é a Literatura a não ser o Verbo?

Sim, porque se a Literatura não for Verbo, então não é nada.

18 comentários:

Anónimo disse...

Tu dás uma alegria maior ao meu coração do que a daqueles que têm trigo e vinho em abundância.

Só Né Tu? disse...

Resposta ao João de Castro Nunes (queria ter respondido do outro lado, mas não sou membro) Só cabeça.

Retítulo: A tua arma secreta (ou "A arma secreta dele")

“Um dardo ou seta em forma de soneto”
Lança o nosso amigo a ver se espeta…
Mas a pena toma forma em parte incerta
E o bico sucumbe no alfabeto.

Gaba-se que tem arma engatilhada
Secretamente, pronta a disparar!
Pela palavra explode o nuclear
Soldado de arma desengatada…

“Há coisa com a qual eu não engraço”
Continua o lobo mau no ameaço
É a santíssima “mediocridade”

Mais um contemplativo palhad’aço
Que atira sob a forma de estilhaço
Poemas à pobre humanidade.

EU in “Não consegui resistir, sorry”

Madalena disse...

Que bom sabê-lo alegre!

São Chupança disse...

SONATA ROXA

“Olhos de David, rei de Israel”
Pinta-os de azul o triste pobre
Enquanto malha o trigo diz que é nobre
D.Quixote, em moinhos de… papel

Traça a forma como formo o informe…
Costureirinho de “forro de sacrário”!
Um cheiro a mofo tresanda do armário
Deste velho do Restelo já disforme.

Sofre de alma na pena do cansaço
Mas insiste que ainda tem regaço
Para abrolhos de rosas… Que amor!

Eu sabia que escondido em cada passo
Dado lá no fundo do estardalhaço
Vive um mafarrico agricultor!

Moi (Eu, em francês) extraído de “Sonata Azul” de J.C.

Anónimo disse...

O que é a literatura senão letra dura?

Sem a literatura seríamos.

Rasputine disse...

Muita literatura, pouco sexo.

Madalena disse...

Muita literatura, muita imaginação, excelente sexo. Pouca literatura, pouca imaginação, mau sexo.

Anónimo disse...

"Este livro é a minha cobardia" - Bernardo Soares, "Livro do Desassossego"

Com cavaquinho disse...

Ode à fala brasileira, do casto

Ó “Brasílico idioma… emancipado”
Clama o velhinho, bem longe de cena
As meninas sorriem de vaga pena
Ao mendigo na rua Sésamo ajoelhado!

Diz que entende a língua em brasileiro…
Pois se só de teoria vive o homem!
Dos cinco sentidos que o consomem
O ouvido é o único por inteiro.

“Floresce e cresce” – hilariante!
E ainda me chama filha, o tratante
Balançando a velinha esfarrapada

E lá vai, no cruzeiro imperial
Rumo ao sul da terra tropical
Pirata sem perna, sem pau, sem nada!

Ó lé! Toma lá mais!

Vai de carinho disse...

Em “esterco, lixo, estrume ou porcaria!”
Chafurda o Castrol o seu sujo pincel…
Depois com cores extraídas do pastel,
Lá vai ganhando a tela em romaria.

Com ar soberbo, o dedo aponta e só goza,
Endeusando-me na arte que diz ser.
Simula rústicos sons de bem escrever
E julga que tal acto me põe nervosa!

Pois “longe se encontra da teoria”,
O repugnante que tudo queria
Cheirar num trocadilho conspurcado.

E enquanto se alonga na distância
Vai deixando nas pegadas da infância
Quatro marcas, duas de lado a lado!

observador disse...

Porque não se inscreve no blog da Nova Águia? Lá é que isto teria sentido e faria um grande reboliço, que bem preciso é por aqueles lados!...

Madalena disse...

Pelo que percebi, o autor dos sonetos já foi membro e agora já não é.
Se se refere a mim, estou inscrita, e recebo os feeds do blog via RSS. Não participo, porque tenho andado um pouco afastada de certas realidades. Além disso, acho que há por lá uma certa confusão a respeito do significado de lusofonia.

Certa realidade disse...

A autora dos sonetos nunca foi membro de coisa nenhuma e Isso é facilmente comprovável.

Madalena disse...

Peço desculpa, pensei que era autora dos 3 sonetos e no primeiro, era referido "já não sou membro".

Fotografia disse...

Sou autora dos 4 sonetos, fora os ameaços!

Madalena disse...

Pois é, já são quatro, e eu é que li mal. Relendo agora, o "já" nem sequer lá está.

Nós disse...

Tentar caçar fantasmas nos outros não será um pouco ridículo Madalena? Essa coisa das cisões e personalidades fendidas e escribas em máquinas, infiltrações... e coisas afins... Um pouco doentio, não? Principalmente quando provocado...

As disciplinas místicas há muito que deixaram as faculdades.

Madalena disse...

Pontos de interrogação não fazem perguntas. Só tenho que respeitar a sua opinião.