O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dúvida

Se o mundo é sempre o mesmo: grande, complexo, fantástico, ou talvez numa não-definição mais esclarecedora: “inapreensível”. Se já caímos e já nos levantámos. Se já magoámos e fomos magoados.Se já fomos instrumento e artesões. Se já fomos médicos e remédios.Se já fomos chefes e servos… Porque volta sempre o sofrimento do sempre? O desespero absolutista? O temor sem fim à vista?Se já sabemos que vai e vem, se já sabemos que a vida são momentos e, por isso mesmo, finitos, porque insiste em aparecer, em morar no ser, essa presença absolutista do sempre?Qual o verdadeiro valor, ou se quisermos, qual a certeza, ou mesmo, aquela certeza absoluta, aquela clarividência inabalável quando, num momento, dizemos: “amo-te para sempre” ?

4 comentários:

Até um dia disse...

Acabou!

Anónimo disse...

o amor só se diz no presente logo é para sempre :)

baal disse...

estava a pensar que é 'karios' a oportunidade do momento, parar o efémero, para que se torne eterno.

RTFM disse...

Até um dia:
Acabou sim. Mas não a dúvida. :)


Anónimo:
Sim. Mas não responde à pergunta.
De onde vem a certeza de que ele é para sempre? (quer de facto, seja, quer, de facto, não seja ?).


Baal
Kairós...
É de certeza num momento (oportuno ou não) que dizemos amo-te para sempre, que ouvimos amo-te para sempre.

O momento pode ser esse golpe estético com que arrasamos o mundo, onde tudo é nada, e apenas aquilo que dizemos, sentimos, e transmitimos é cósmico.

Ainda assim. Seja lá que momento for, ou como seja que aparece.

De onde vem? :)

A fonte. :)
http://mem-pensa.blogspot.com/2009/06/momentos-do-sempre.html