O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


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sexta-feira, 12 de junho de 2009

E a propósito da Literatura... dos Livros...

O que é a Literatura a não ser aquilo que arrancou o Homem da ignorância e da escravatura uma e outra vez ao longo de todas as eras? O que é a Literatura senão aquilo que produziu filósofos, artistas, repúblicas, educação, alimento e saúde para (não) todos (mas enfim, pelo menos para alguns)? O que é a Literatura senão aquilo que nos levou ao espaço e que conduz a vida à sobrevivência para além do sol e quiçá à eternidade? O que é a Literatura a não ser a ignição dos mais profundos sonhos do Homem? O que é a Literatura a não ser aquilo que nos impede de andarmos a lamber o pó da terra? O que é a Literatura a não ser o Verbo?

Sim, porque se a Literatura não for Verbo, então não é nada.