O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Espelhos

Escrevo
o Universo.

Escrevo
o Respirar.

O respirar é
o Ser.

O ser é
tudo.

Tudo é
o que vejo e sinto.

(Tudo é
o que sou
e não posso ser
mais do que isso.)

Amo-te
e amo
a Vida.

Amo
a consciência.

Amo
o Sol e as estrelas.

Amo
o seu brilho
sobre a água
e a limpidez
desta.

Amo o brilho
das conchas
molhadas
que pisamos
que tocamos, agarramos, guardamos.

Amo cada
momento.

Com tudo
me fundo.

3 comentários:

frAgMentus disse...

espelhos como reflexos de amor...lindo!

amo-te tb e amo o universo
baba nam kevalam
e já Francisco tão bem o cantou... (Cântico das Criaturas)

Nuno Maltez disse...

Espelhos da realidade sensível e interior, em amor.

Nuno Maltez disse...

Sim, também me lembrei do Cântico das Criaturas...