O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

MALIGNIDADE!

Dos fariseus é sabido
ser costume inveterado
os seus olhos desviarem
e seus ouvidos taparem
com menosprezo perante
uma obra de arte qualquer
para decerto não terem
de uma palavra dizerem
de parabéns a quem seja:
de fariseus está cheio
hoje ainda o nosso meio!

JCN

6 comentários:

Rui Miguel Félix disse...

o que propõe fazer com tanto "santo"?

Um abraço

João de Castro Nunes disse...

O tempo... o dirá! Tem algum... alvitre?!... JCN

Rui Miguel Félix disse...

Alvitro... um poema que relacione a silente indiferença para com a arte (seja de que tipo for), grave, quase benévola, que mais não é que uma manifestação legítima da morte de toda uma crença...

Uffa! :)

Peço-lhe a si, em soneto camoneano, porque pela minha mão, nem quadras, nem tercetos, nem as melhores redondilhas algum dia me visitaram.

Ao artífice a melhor matéria-prima, repleta de espírito e de sabedoria em potência tal como o mármore não talhado é rico em escultura.

Grato, João.

Abraço

João de Castro Nunes disse...

Espírito... não lhe falta, caro Amigo: espírito e humor! Abaixo os taciturnos... fariseus e sua "silente indiferença"! Não posso!... JCN

luis santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
luis santos disse...

Garto Rui, pelo belo poema, e grato também à casa em que ele floriu.