O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 20 de outubro de 2009

cultura

'porque é que estes seres nossos aparentados, os animais, não oferecem o espectáculo de um tal combate pela cultura? ai de nós, não o sabemos. alguns de entre eles, as abelhas, as formigas, as térmites, lutaram verosimilmente durante milénios até terem encontrado instituições estatais, esta repartição das funçoes, esta restrição das individualidades que hoje nelas admiramos. é característico do nosso estado presente que, ao escutar o nosso sentido íntimo, não nos estimássemos felizes em nenhum destes estados animais e em nenhum dos papéis neles atribuído ao indivíduo. Noutras espécies animais, é possível que se tenha chegado a um equilíbrio temporário entre as influências do mundo circundante e as pulsões combatendo-se nestas espécies, e deste facto a uma paragem do desenvolvimento. no homem originário, pode ter acontecido que um novo avanço da libido tenha atiçado uma renovada rebelião da pulsão de destruição. Quantas questões se colocam aqui para as quais não há ainda resposta!'


Freud, le malaise dans la culture.

4 comentários:

baal disse...

abaixo o estado. viva a máquina de guerra nómada.

Damien disse...

Abaixo o Estado e o estado de sítio, e de não-sítio também!

Concordo com a guerra, se for exercida contra nós mesmos: para sermos reis e senhores de nós mesmos.

Esse, quanto a mim, o sentido profundo que une mon-arquia e an-arquia.

João de Castro Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João de Castro Nunes disse...

Isso, isso: precisas de fazer guerra a ti mesmo! Em vez de fazê-la aos outros! JCN