O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Algumas fulgurações

Como não aceitar como endoutrinação o que não brota de dentro de nós?
O maior de entre todos os bens é interior: a felicidade.
Se tens de o interpretar, não é real.
Se tens de o aprender, não é real.
A realidade é fácil.
O ser humano é um ser complicado.
A realidade é sem história.
Todas as doutrinas têm telhados de vidro.
O pensamento não capta a realidade.
A realidade não pode ser dita.
Por mais que aprenda, serei sempre ignorante.
O ser humano procura o saber pela porta errada.
O único saber que há a saber é o saber tocar.
Como tocar o que é intangível?
Os corações interpenetram-se.
O amor é o cume da sabedoria.
Tudo o que não é imediato é falso; a realidade é imediata; Deus é a realidade; só a realidade existe; Deus é imediato; tudo é Deus.
Esqueçamos Deus e concentremo-nos na realidade.
Deus é um fardo pesado demais.
Não caibo em Deus. Eu próprio explodiria.
Não caibo em mim. Eu próprio explodiria.
Sou tudo, mas escolho ser nada.
Sendo nada, sou tudo.

15 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Não há pachorra, senhor Caminhante! Não há mesmo... pachorra! JCN

Caminhante disse...

O João de Castro
perdeu a pachorra
perdeu-me o rasto
nesta manjedoura.

Nesta manjedoura
onde venho manjar
ceifa duradoura
de luar a luar.

De luar a luar
que é como quem diz
talvez um lugar
onde sou aprendiz.

Onde sou aprendiz
de quê não sei bem
mas é de petiz
que se faz ninguém.

João de Castro Nunes disse...

Não conte comigo, senhor Caminhante... para partilhar a sua refeição, por muito dourada que seja a manjedoura! Não gasto! JCN

João de Castro Nunes disse...

Por este andar, tropeçando em cada rima e arranhando em cada corda, quando é que vossemecê... chega ao violino?!... JCN

Damien disse...

Cheira-me a "praia" e a "golfinhos" a deixarem-se fluir na manhã ...
Cheira-me a "aurores" e amores e a latas postas no saquinho do lixo do bom comportamento.
Cheira-me a beatas dentro da lata.
Antes de a lata ser posta, mais comportadamente ainda, no lixo do saquinho. Na praia dos golfinhos.
Cheira-me a coisa.

Pois..
Muda-se o nome, fica a vontade na mesma...

(Humm... Não vos lembra ninguém?)

Caminhante disse...

Ficará, Damien? Ou por uma vez admitirá que está errado?

Caminhante disse...

De resto nem as fulgurações nem o poema cheiram a coisa, pelo contrário.

Caminhante disse...

E de que vontade fala?

Caminhante disse...

Por que me trata assim, Damien? Por que não me deixa publicar os meus textos em paz? Acaso fiz-lhe algum mal?

Caminhante disse...

Você, Damien, faz-me sentir não bem vindo a este espaço. Como tal, retiro-me - desta vez para sempre -, não sem aguardar a sua resposta às questões que lhe coloquei, às quais já não responderei. Um abraço e boa sorte.

Paulo Borges disse...

Porque somos tão susceptíveis? Todos somos bem vindos a este espaço, que a todos igualmente convidou e convida. O espaço não trata mal nem bem ninguém, não se exalta nem deprime com elogios ou críticas. Porque não somos livres como ele?

João de Castro Nunes disse...

Ou muito me engano ou vossemecê, senhor Caminhante, terá de, com as suas (con)figurações, fzer caminho... por outros sendeiros, com Deus no bolso... para não trocar o passo! Afine o cavaquinho! JCN

Damien disse...

Enquanto há margem para a "presunção e água benta", fica tudo muito bem.
À mínima, vê-se o que há: pouco mais do que nada, (como em todos nós, aliás).
Não se topa é a "utilidade" que posso ter para nós o ver isso, parece.
Quando, recebemos do oculista os óculos receitados pelo médico, ficamos gratos por termos decidido ir ao médico.
Ninguém vai, obviamente, agradecer ao oculista, nem disso ninguém se lembra. Nem precisa.
Apenas de que então vê que antes não via. É quanto basta.
Há quem nem isso veja.


P.S.
O facto de afirmar, de certa forma e em certo tom, as coisas não significa que eu ache que tenha "razão" (quem a tem?).
Significa, apenas, que tenho uma voz que porventura (entre outras) "mexe a sopa" e mistura os ingredientes no caldeirão.
Que alguém não goste da sopa com os temperos todos, é problema de quem não gosta.
Mas, isso não retira a verdade de que comer sopa faz bem, faz...

Damien disse...

Aliás: nunca escrevi (senão este) comentário algum a um post ou comentário de Caminhante.

Tire-se daí as conclusões do que eu (parece?) "presumi"...

Pois...
Desatenção...

João de Castro Nunes disse...

Parece que vossemecê, senhor Caminhante, não aguentou a pedalada! Arranje nervos de aço, senhor Caminhante, se quer lutar com a devoradora... serpente! JCN