O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Incontingência

Os dois longe
da civilização.

Do seu rasto
a estrada alcatroada.

Um enorme silêncio
a natureza canta os seus sons.

Os sentidos perdem-se
na dança de cor e forma.

A brisa é
tangível.

Na terra
pinheiros, oliveiras, sobreiros, azinheiras.

Xisto.

As mais diversas e singelas
flores.

Ao fundo no sem fim
o terno abraço do céu azul.

Duas ovelhas caminham
juntas.

Os patos voam
ao nosso passar.

Os javalis fazem-se
ouvir.

Respiramos a realidade
inaudita.

3 comentários:

praia da lua disse...

excelente descrição do além-tejo, celestial, tão perto de nós :)

um passeio de amor, onde vislumbramos a natureza por força da nossa pureza.

bj soham em ti

Nuno Maltez disse...

Um passeio de amor, onde a natureza se deixa vislumbrar sem força, inauditamente.

Beijo soham.

João de Castro Nunes disse...

Campos, campos, campos
y entre los olivos
los cortijos blancos!

Antonio Machado

JCN