O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os Véus da Linguagem

As pessoas continuam falando que a filosofia não progride realmente, que continuamos ocupados com os mesmos problemas filosóficos que preocupavam os gregos. Isto porque a nossa linguagem permaneceu a mesma e continua nos seduzindo a perguntar as mesmas questões. Até quando continuar existindo um verbo `ser' que parece funcionar do mesmo modo que o verbo `comer' e `beber', até quando continuarmos tendo os adjetivos `idêntico', `verdadeiro', `falso', `possível', até quando continuarmos a falar de um rio do tempo, de uma porção (expanse) do espaço, etc. etc., as pessoas continuarão tropeçando sobre as mesmas dificuldades enigmáticas e encontrar-se-ão olhando fixamente para algo que nenhuma explicação parece capaz de clarificar.
Wittgenstein

fonte:http://jonadas.blogspot.com/2006/02/traduo-de-algumas-passagens-de-culture.html

9 comentários:

Nuno Maltez disse...

Quanto mais pensamos mais nos baralhamos. Será verdade?

Por vezes penso que o melhor é apenas observar o mundo, e extrair da nossa experiência passada e presente para a futura.

A nossa linguagem é aparentemente complexa. Há que simplificar.

Se inventássemos uma nova linguagem, não nos baralhár-nos-iamos na mesma?

Que nos baralha: a linguagem ou o mundo? (ou nós próprios, enredados no samsara?)

Há que nos libertarmos dos véus, pelo... amor (?)

Há que aceitar plenamente a nossa sensibilidade.

Não só do pensamento, mas também e muito dela advém a filosofia.

Pois diz-se que a filosofia começa no espanto.

E o espanto começa na sensibilidade. Ou começará na interrogação sobre os dados da sensibilidade?

E valerá a pena interrogarmo-nos, ou será melhor apenas fruir o mundo?

Em que consiste a sabedoria, a atitude sábia perante a nossa finitude?

Existirão de facto véus, ou a existência de véus não passa de nevoeiro nas nossas mentes?

Se sim, que nevoeiro é esse?

Será o eu tentando impor-se sobre a realidade, tentanto exercer a sua vontade sobre a mesma, tentando ser Deus?

Há que mergulhar no jogo da realidade. Ou não?

Atentar à respiração, tocar na terra, espantar-nos com a sublimidade da paisagem...

Estaremos de facto na era da sensibilidade, ou nela entrando, após a era da tecnologia?

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Paulo Borges disse...

Daí a necessidade de aprender outras línguas, que veiculam outras possibilidades de experiência do mundo. No nosso caso, se possível, línguas não indo-europeias. Ou, melhor que tudo, compreender e experimentar, no seio da própria linguagem, a vacuidade de todos os conceitos e palavras. Silenciar-se falando, bem mais difícil e fecundo do que slenciar-se silenciando-se.

baal disse...

claro, é preciso criar novos conceitos, outro valor para as expressões e mesmo outra forma de pensar, só assim construimos outro mundo. não podemos continuar refens do uno.

Nuno Maltez disse...

Inventarmos novos conceitos, para deles ficarmos reféns? (segundo o teu raciocínio).

E quem está refém do uno?

Não estaremos antes reféns do nosso próprio pensamento?, dos nossos preconceitos?

Nuno Maltez disse...

E que véus tem a linnguagem se não os véus, se os há, do próprio pensamento?

E o que é um véu do pensamento, se não um eu que se intromete entre a consciência e a consciência da realidade?

E já isto é teorizar...

Xero disse...

Medol fane? Cosine pu mante, oro. Meteku pilo doma leka... Espo serti fisso. Mune.

Hilo pate xinti fane. Olo.

João de Castro Nunes disse...

´´O XERO: que indo-europeu... é esse?!... JCN

João de Castro Nunes disse...

A tecnologia e a sensibilidade... não são incompatíveis: a Poesia faz a ponte. JCN

baal disse...

os conceitos funcionam em caleidoscópio, nunca são os mesmos, são múltiplos. uma das ideias do uno é que o conceito é estático, por isso repito é preciso pensar de outra forma, não um pensamento de consciência mas nómada, os coceitos fluem são sempre novos, popr iso reféns só da criação, da multiplicidade.