O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Vício de Pensar

O vício de pensar é porventura dos mais daninhos que se abateu sobre a humanidade e quanto mais felizes seríamos se pudéssemos regressar a tempos que, simbolicamente, chamaríamos de ante-pré-socráticos, quando a filosofia ainda não aparecera com a pretensão de substituir o conto de fadas, ou até antes disso, quando o conto de fadas ainda não aparecera com a presunção de substituir a vida.
Agostinho da Silva

5 comentários:

luis santos disse...

Pensar e Silenciar, duas capacidades que nos assistem e que não carecem de separação.

Paulo Borges disse...

É verdade o que diz Agostinho, mas também há outros sentidos de "pensar", como um amoroso "cuidar", "curar", "alimentar", como se vê no português medieval e ainda actual: "pensar uma ferida", "pensar um bébé", "pensar o gado"...

Paulo Feitais disse...

Pegando nas deixas do Luís e do Paulo (que estão muito próximas): haja pensamento que pense a ferida de pensar!
E filosofar é o contrário de ter e andar com macaquinhos no sótão. Pelo menos que se rasgue no sótão umas águas-furtadas. Por que pensar também é furtar (o fruto proibido e tudo o mais, furtado é mais saboroso. como a fruta madura na quinta do padre cura - esta está aqui a mais e pode cair mal, mas pelo menos que caia de pé, como os gatos do Agostinho e do Escher). :P

Paulo Feitais disse...

e pensemos o 'por' que que ficou com uma ferida aberta no meio... :)

João de Castro Nunes disse...

E de "pensar" vem "pesar", que é uma outra forma de pensar: "pesar os prós e os contras". Dá que pensar! JCN