O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Só mesmo um deus brincalhão para me fazer retornar por breves segundos;-)...

... faço-o por amor ao debate de ideias, mas não se preocupem, que vou-me já embora;-)... 

Caro Pan,

Pode por favor explicar melhor esta passagem, que parece tão fora de contexto no seu excelente comentário à citação de Agostinho da Silva?

"(...) a ajudar a isto temos a democracia que por sua aparente benignidade nos uniformiza no seu pseudo-igualitarismo destituindo-nos do nosso poder vital que tão sobejamente os lideres vigentes tomam partido para seu próprio proveito. (...)" 

Porque é que a democracia é assim tao problematica? A verdadeira democracia é muito mais do que pluralismo politico e direito de voto para todos os cidadãos: É a promoção da igualdade de oportunidades para todos os seres humanos desenvolverem o seu "poder vital" e atingirem o nivel de consciência de que fala. É obvio que isto ainda não se pratica. A maior parte dos seres humanos não tem consciência do seu potencial, do "poder vital" que albergam dentro de si. Isto porque não interessa ao sistema profundamente hierárquico e desigual em que vivemos. 

A democracia ainda não desenvolveu todo o seu potencial. Porquê considerá-la então um problema, ainda por cima quando ela ainda não atingiu a plenitude?

19 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Como já disse em outro comentário, o Pan... (em)pan(cou), não sabendo como descaçar esta bota... airosamente: meteu-se num beco sem saída. Um pan(demónio)! JCN

Ana Margarida Esteves disse...

Só um esclarecimento: Quando me refiro à Democracia, não me deixo prender na estrutura institucional pluralismo partidário/eleições/parlamento + governo, etc.

A Anarquia é suposto ser, ao menos a nível teórico, o ápice da libertação individual que é preconizada pela democracia. Um ápice de Liberdade, Igualdade, Fraternidade ... E Responsabilidade...

Para isso é preciso saber formar seres humanos absolutamente livres, conscientes, responsáveis e capazes de cuidar de si e do Todo.

Paulo, Feitais, onde estás tu, companheiro?

Paulo Feitais disse...

A corrigir testes!
:)
Pois é. Amarrado aos testes (e os alunos também...).
As 3 idades de Joaquim de Flora: Liberdade=Idade do Pai; Igualdade=Idade do Filho; Fraternidade=Idade do Espírito Santo!
E temos Agostinho da Silva no olho do Furacão!
A Fraternidade só é vivenciável se assumirmos o outro, cada um dos demais, como o que de mais elevado poderemos encontrar neste mundo. Cada homem. Mendigo, prostituta, aluno do secundário,ministro, presidente seja do que for...
É a desigualdade igualitária: cada homem é o que de mais importante o universo, seja lá por que motivo, resolveu engendrar.
Se alargarmos isto aos demais seres sencientes, então somos tomados duma espécie de divina Loucura.
Passamos a ver o mundo às avessas. E seremos, de certo, motivo de chacota.
Mas é aí que viver vale a pena, porque a alma nunca é pequena.
Mesmo dentro do corpo dos que se fazem pequeninos julgando que se vão tornando muito grandes.
E agora, como não fui internado antes de trazer os testes para casa...

:)

Paulo Feitais disse...

E para o JCN: xixi e cama!

João de Castro Nunes disse...

Enquanto vês testes, pá! faço eu poemas... até às cinco da madrugada! Mas não... de guardanapo! E muito menos... de papel higiénico! Acabas sempre por levar nas trombas, pá! JCN

Paulo Feitais disse...

Desde que a maquineta não liberte dióxido de carbono...

João de Castro Nunes disse...

Contentas-te com pouco! É o que vale. És de voo rasteiro! JCN

baal disse...

enquanto a democracia for representativa estamos feitos, esta é uma sociedade de controlo onde as representações são decididas pelo poder económico (mais do que pelo político) e não passam da representação da mediocridade e da injustiça, os piores a destruir qualquer esperança.

devemos pensar em termos de democracia directa e começar a discussão (partindo de associações não centralizadas) de como a construir.
um povo, uma democracia, uma organização horizontal, contra as hierarquias.

João de Castro Nunes disse...

Não serás tu, ó BAAL, um desses "piores"?!... Não podes ver a camisa lavada... a um pobre. És como o Feitais. "Ai de nós!". JCN

Paulo Borges disse...

Ana, sabes que és bem-vinda e que fazes falta. Também concordo que urge assumir as potencialidades inexploradas de uma democracia directa, livre dos poderes económicos. Agradeço os vossos contributos nesse sentido.

Pan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Margarida Esteves disse...

Bem Pan,

Excelentes questões. No entanto, permita-me pôr em causa os seguintes pontos: Relativamente à suposta "alienação dos ciclos naturais": O que sabemos nós, humanos, sobre a natureza desses ciclos? O nosso conhecimento é sempre muito limitado. Por isso é perigoso afirmar de forma tão peremptória que uma maioria da população está afastda dos "ciclos naturais".

Relativamente à "informação" e "consumo": Nem tudo é "mau" no mundo das tecnologias de informação. A televisão, nos seus primórdios, teve uma função libertadora, de rompimento de fronteiras. A crescente minoria de que fala que está a voltar à espiritualidade muitas vezes o faz graças à internet, que junta pessoas e ideias que de outra forma nunca se iriam conhecer.

Pare ter acesso às tecnologias da informação e à espritualidade é preciso consumir. Nem que seja apenas um computador, um telefone, gasolina ou bilhetes de autocarro ou combóio e os paramentos necessários para o exercício de uma função ritualística.

Todos os seres vivos consomem. A Criação é em si mesma uma "sociedade de consumo". É preciso é saber consumir com sabedoria.

Além disso, toda a "espiritualidade" é uma construção humana. Toda a inspiração divina dos profetas e avatares é mediada pela sua própria imperfeição enquanto seres vivos e portanto parciais.

Por isso, não será um bocado perigoso querer alienar uma parte da população da tomada de decisões sobre a æcoisa públicaæ só porque a julgamos "alienada dos ciclos da Natureza" e presa ao "consumismo" e à informação"? Quem somos nós para o fazer?

Até tu, Pan, que és deus e que por isso ainda não atingiste a libertação plena?

Esse tipo de pensamento era tipico de um Julius Evola e dos intelectuais esotéricos da "Sociedade Thule" e do NSDAP. Bem sabemos à desgraça a que isso levou ... Actualmente temos o Alain de Benoist e outros pensadores semelhantes do GRECE ... A ver se o desastre não se repete...

Relativamente à Democracia: Refiro-me a ela como um ideal. A demcoracia representativa está longe de realizar todos os potenciais da Democracia, sendo pouco mais que um pluralismo, como já o afirmou Dahl, cientista político.

As experiências de orçamento participativo no Brasil, que agora se estãoa espalhar pelo mundo fora (incluindo Portugal), prometem um aprofundamento da Democracia. Vamos ver que avanços permitem no caminho para a Liberdade, Igualdade, Fraternidade (de todos os seres) e Responsabilidade.

Um abraço e feliz Sol Invictus;-)!

João de Castro Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João de Castro Nunes disse...

Que pan(turrada), senhor Pan, que grande pan(turrada)! JCN

João de Castro Nunes disse...

Esteve(s)... mas já não Está(s). JCN

Paulo Feitais disse...

Estes castradilhos, quer dizer, trocadilhos... apure-se poeticamente, homem!

João de Castro Nunes disse...

Belo termo! Vou registar. Quanto aos apuros... trate vossemecê de se esmerar nos seus sonetos de guardanapo! E, então, essa questão dos olhos do zarolho... Em que ficamos?... JCN

Pan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Margarida Esteves disse...

O conhecimento da Realidade do Relativo nao e por si so argumento suficiente contra qualquer governo por uma casta de "iluminados"? "Ilumidados" estes que acabam sempre por se revelar o maior desastre possivel para a Humanidade. Ai reside a base de todas as seitas que existem ... Um ser humano "iluminado" nao e mais do que um ser humano "expandido", com todos os defeitos e limitacoes que isso implica...

Esse tipo de governo leva sempre a que o direito a educacao, ao saber, seja reservado apenas para uma "elite", mantendo os "nao meritorios" e os "nao iniciados" na escuridao.

Gostaria de ter um centimo por cada vez que ouvi que nao "merecia" ter acesso a certos conhecimentos e certas actividades, por nao ser da "casta" certa. Um centimo por cada vez que me fizeram a mim e a outras como eu, sentirem-se culpadas por estudarem e trabalharem em vez de ficar "em sintonia com os ciclos naturais", na aldeia a cavar a terra, a levar tareia de homens a cheirar a vinho barato e a fazer filhos em catadupa como as suas antepassadas... Um centimo por cada vez que ouvimos que a decadencia do Ocidente e em grande parte por culpa de mulheres como nos, ventres e coracoes supostamente secos (que arrogancia e ignorancia de quem o afirma) e cerebros hipertrofiados que contribuem par ao envelhecimento da populacao...

Tenho por isso uma aversao visceral a toda e qualquer forma de governo que nao inclua todos, sejam "ilumidados" e "merecedores" ou nao. Prefiro a "balburdia" que temos ao risco de tal governo se tornar realidade.

Prefiro governos corruptos e plutocratas do que entregar o podera uma casta de "conhecedores do vazio" supostamente "sem ego" mas que, por se julgarem assim, tem o ego maior que todos os outros... Sobretudo aqueles que julgam nao o ter ... E que acabarao por impor uma escravidao ainda mais destrutiva...

Ha imensas "ordens iniciaticas" a sugar tempo e dinheiro de papalvos como nos que anseiam "elevar-se acima dos limites da condicao humana", como se tal fosse possivel. Conhece o livro "Cronica da Vida Social dos Ocultistas"?

Tenho o direito tambem de considerar muito perigoso que alguem pense que tem acesso a algum conhecimento "superior" que o/a torna mais "capaz" que os outros seres humanos.

Tudo isso nao e mais do que mera ilusao.

Argumento baseado na emocao e nao na razao? Talvez. No entanto, tenho o direito de o ter.

Serei um monstro que encarna o pior que ha na modernidade? quem sabe? Os monstros sempre tiveram um papel muito importante nos contos iniciaticos...

Pan, espero a tua resposta. E um privilegio poder conversar directamente com um deus, olhando-o nos olhos ... Quem sabe, responsabilizando-o pela sua criacao...