O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

As três palavras mais estranhas


Quando pronuncio a palavra Futuro,

a primeira sílaba pertence já ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,

destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,

crio algo que não cabe em nenhuma não-existência.


Wislawa Szymborska

10 comentários:

maísha disse...

mt bom

Anónimo disse...

epá, muito fixe.

Sereia* disse...

Vergilio!

Acho mesmo que vim aqui ao blog hoje só para ler estas palavras!

Vou levá-las comigo, assim sem ninguem ver*

Anónimo disse...

" O ensino sem palavras
A eficácia do não agir
Nada poderá igualar-se-lhe."

Lao Tse

Lapdrey disse...

Ah, Virgilio, és sem dó nem piedade!

Puseste-me no próprio fio onde a lâmina da linguagem a si mesma se decepa!

Fantástico espelhamento sobre a imagem cega do humano dizer!

Gratíssimo, irmão poeta!
Grande abraço!



Quando digo "fantástico!", estou apenas a tropeçar no que entendi!

Quando digo "um abraço!", já o dei pela metade!

Quando digo "grato!", jamais o serei bastante!

Salvé, grande Wislawa!

Paulo Borges disse...

Isto é verdade, mas o contrário também: o que se diz nega-se, mas nesse mesmo negar se assinala ou indica o negado, num vislumbre ou já antegosto de transcensão do dizer e do dizível...

Anónimo disse...

As palavras pronunciadas, as três “estranhas palavras”não vão com o tempo, criam um tempo inexistente e indizível, para além do Futuro, do Silêncio e do Nada, “mundo” paralelo a este futuro que já foi, a este Silêncio que nunca é, e a este Nada que talvez nem seja.

Abraço, Vergílio

baal disse...

Walter Benjamim disse uma vez, que a primeira experiência que a criança tem do mundo não é que "os adultos são mais fortes, mas sim a sua incapacidade de fazer magia".


Profanaciones,Giorgio Agamben

Lapdrey disse...

Fazê-lo, caro Baal, no disruptivo elo com o instar-se a cada momentum, eis o que me parece ser o melhor destino momesco de ser humano: não ser demasiado homem.

frAgMenTUS disse...

excelente reflexão porque o futuro, o silêncio e o nada são um todo complementar do indizível que nos reveste!

excelente partilha, amigo