O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ritos do Punhal


Imagem: Google

O phurba ou phurba é um punhal ritual usado em rituais de exorcismo associados à escola Nyingma e simboliza a capacidade da sabedoria subjugar as forças malignas. A ponta afiada do punhal representa a sabedoria como ponto concentrado e parado que se fixa na contemplação da bondade. O phurba é usado em ritos que envolvem o "assassinar" de uma efígie humana que representa o mal que se pretende vencer. Este mal pode ser um inimigo do Dharma, mas também pode ser o "eu" inatamente egoísta. Como um utensílio riual primariamente da escola Nyingma, não reformada, o phurba é proibido a todos os membros da Gelukpa, excepto aos Dalai Lama, que desde o quinto Dalai Lama têm dado e recebido ensinamentos da doutrina e prática Nyingma.

John Peacock, O Caminho Tibetano de Vida, Morte e Renascimento, Plátano Editora, 2005, p.108


3 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Era de um punhal assim que eu precisava para, sob o signo da sabedoria, "subjugar as forças malignas"! JCN

saudadesdofuturo disse...

Só há verdadeira Sabedoria se esta estiver sujeita à Bondade. Se assim não for... não passa de estéril exibição de conhecimentos.

O que talvez a lição do punhal nos traga seja a "morte" do que em nós seja a humana sombra de um eu que impede a visão sem sombras: a visão limpa de vaidade, do orgulho e de outros véus que turvam e impedem o verdadeiro "tesouro" de brilhar.

Obrigada pela lição e por esta reflexão.

Paulo Borges disse...

Não lhes chamaria rituais de exorcismo... O "phurba" nada trespassa senão a nossa ignorância e negatividade.