O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


domingo, 31 de maio de 2009

Corpo-movimento-dança





Fotografias Liliana Jasmim

3 comentários:

Nuno Maltez disse...

A dança é uma arte muito bela, na minha opinião principalmente quando se dança com alguém olhando nos seus olhos. Acontece muito no Goa Trance. Parece que nesse momento há uma ligação especial, íntima, entre as duas pessoas. O Goa Trance proporciona essa ligação, a um nível, na minha opinião, muito para lá do sexual, como não acontece tanto na chamada House Music, mais conotada com o sexo. O Goa, por sua vez, permite que essa ligação seja mais espiritual e evoca um sentimento de nós enquanto participantes do Cosmos. Penso que se há género musical que mais evoca a ideia ou imagem de Cosmos é o Goa Trance.

Nuno Maltez disse...

Mas, a aceitarmos isso, a explicação não é mágica. Deriva das propriedades características da produção musical deste género, nomeadamente o uso e abuso de ecos, reverberações e flangers, que permitem simular um espaço muito vasto, associados a uma batida seca e sem reverberação - ao contrário do que acontece por vezes no Techno -, muitas vezes comparada ao batimento cardíaco, que nos dá o tempo. A tudo isto associam-se as melodias de cariz oriental, o que se deve à própria história do Goa Trance, inicialmente uma fusão entre os sons electrónicos do Techno com os sons tradicionais da Índia, nomeadamente de Goa. Neste género musical, o baixo faz a ligação entre a "secura" da batida e a liberdade das melodias sintetizadas, implicando isto que não há discordância entre as partes, isto é, que os temas deste género são um contínuo a cada instante e fluem como um contínuo de instante para instante. É um género musical sublime, na minha opinião o mais sublime (o que teria de justificar), e simultaneamente dinâmico - pelo poder que evoca - e matemático - pelo infinito que evoca. É o mais completo (o que teria de justificar). Mas nada como ouvi-lo para cada um tirar as suas próprias conclusões.

Rodericus Ignatius XVII disse...

Adorei o seu blog! Sinto-me bastante sintonizado com o texto introdutório.