O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Se não és a esplendorosa diferença que para o mundo desejas, fazes parte da cinzenta identidade que abominas

4 comentários:

Damien disse...

Belíssima maneira de dizer tão sábio dito.

Tão aparente evidência e, porém, tão tropeçante de nela iludirmo-nos.

A nossa própria in-diferença abomina-se-nos.

Paulo Feitais disse...

É.
E haverá verbo mais cinzento do que o verbo abominar?
:)

Paulo Borges disse...

O verbo é ambivalente, pois liga-se ao ominoso...

Flávio Lopes da Silva disse...

sublime o dizer que nos diz que tudo é vago e o vago não termina aqui

abraço