O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 14 de novembro de 2009

Se te diriges para onde sabes que queres ir
não precisarás de pensar caminhos para lá chegar.

8 comentários:

platero disse...

Lao Tsé

ou Luisa Dunas?
Judicioso em todo o caso

João de Castro Nunes disse...

A coincidência... do universal. JCN

Paulo Feitais disse...

:)

João de Castro Nunes disse...

Tudo vai bater no mesmo! Até o silêncio... reticente ou discordante do senhor Feitais, entretido a ver as pombas pela única janela do seu palratório tri-semanal. Gostei... dessa! JCN

Paulo Feitais disse...

a maquineta dos sonetos avariou-se?

Do meu parlatório tri-semanal
vejo pombas no ar a esvoaçar
São pombas feitas de sonho e de luz
Sem penas nevróticas e agrestes

Voam livres sem manias neuróticas
Um ímpeto de infinito as conduz
Para espanto dos poetas pedestres
Que mesmo com as beirãs e amnióticas

Inspirações ficam sem assunto
Sem as energias e sem o alento
Capazes de produzir mais uns sonetos

Depois de ressuscitar um defundo
Morto com os nietzschianos acertos
Só resta comer pão com bom presunto!

saudadesdofuturo disse...

Que verdade nos é dita, e como nos é dita!
Será, querida Luiza, o deserto o apagar de todos os pensamentos sobre caminhos havidos e por haver?

Se, como diz, o querer é o - de algum modo - já lá estar, então... de nada serivrão caminhos, para chegar onde sempre se está.

Quero estar em mim como em deserto, digo e penso, em simultâneo obrar... quem sabe já estou nesse desejo... para onde não há caminho mais simples do que aquele que dispensa o caminho e até o próprio caminhar!

São ainda palavras, minha amiga, ando sempre à volta delas... para as poder dis-pensar!:)

Grata, muito, por este "concentrado" de sábia e contida palavra, que a tudo clarifica... sem nada querer clarificar!:)

Saudades, tinha eu, tantas!

João de Castro Nunes disse...

Saiba que a ma1quineta... não se avariou; foi para afinar, mas já voltou... melhor que nunca! Em guarda, amigos! JCN

João de Castro Nunes disse...

Que estranhas "pombas" vossemecê foi arranjar! Nem por encomenda. Nem de papel... seriam tão depenadas. Que carago de pombas! Sabe uma coisa?... o feminino de beirão não é beirã, mas beiroa! Talvez para rimar com broa. Sabe-se lá! E, já agora, a (des)propopósito: assistiu aos funerais de Nietzsche?!... Por acaso, viu lá... o Hitler? J(udeu)CN