O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Do declínio de Portugal a um Outro Portugal

O momento mais fecundo da contínua metamorfose de cada suposto "ser" - indivíduo, povo ou nação - é o seu declínio: a revelação da autocontradição que desde o início e constantemente o move (cf. Heraclito e Hegel sem a deriva teleológica), a revelação das suas mais fundas e inéditas possibilidades. Porque um declínio é sempre o de uma forma ou modo de ser e logo a libertação dos possíveis que essa mesma forma ou modalidade encerra. Para nós, além das nossas próprias vidas, o exemplo mais evidente é Portugal.

Portugal nasceu, desenvolveu-se, expandiu-se e declinou sob o signo da violência contra o outro: leonês, castelhano, árabe, indígenas colonizados. Esse ciclo terminou em 25 de Abril de 1974 e nele um Portugal morreu. Desde então até agora estamos num Limbo, sem poder ser aquilo que estávamos habituados a ser e sem vislumbrar outra alternativa senão a ausência de alternativas do produtivismo-consumismo europeu-ocidental.

Este Limbo é a possível sementeira de um Outro Portugal. Um Portugal solidário com tudo e todos, um Portugal-solidariedade, um Portugal armilar, um Portugal-Universo. O que jamais será o Portugal do Estado ou da sociedade portugueses, mas sim o Portugal alternativo gerado pela comunidade dos portugueses despertos. É a Hora de dar à luz esse Portugal!

umoutroportugal.blogspot.com

7 comentários:

Coelacanto provoca maremoto disse...

Parent bella alii: tu, Portugale felix, nube

João de Castro Nunes disse...

Deus queira... não se vá de mal a pior! JCN

Sonhadora disse...

Belas e verdadeiras palavras.

Sonhadora

Julio Teixeira disse...

Um altar onde se plasmaria a pátria do Espírito Santo,

que depois voaria para as terras do Preste João,
onde seria fundado o Quinto Império e anda agora a velha (LIS) apodrecida e vendilhona a entregar à oligarquia?

João de Castro Nunes disse...

Deixemo-nos de parvoíces! Já não somos crianças, para ouvir histórias da carochinha. JCN

Julio Teixeira disse...

Não exite sopa além da sopa do meu prato...

João de Castro Nunes disse...

Reticências... para quê? JCN