O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

aforismo

dêem-nos um cheirinho de incenso
e aí estaremos nós
a nos julgarmos deuses

10 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Haverá acaso alguém
insensível ao incenso?...
eu não conheço ninguém
demtre aqueles em quem penso!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Ai como eu gosto de incenso
em turíbulo de prata:
deste modo me convenço
não existir quem me bata!

JCN

Anaedera disse...

O "cheiro" de incenso faz-me sentir ainda menos "Deus"

Sereia* disse...

Hummmmm!
Que cheirinho!
;)

Beijos, Platero*

João de Castro Nunes disse...

Quem afirma não gostar
de um bocadinho de incenso
ou mente, conforme penso,
ou por tonto quer passar!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Eu não me tenho por tonto
nem tão-poco mentiroso
e por isso me mantenho
ao incenso sempre pronto.

JCN

João de Castro Nunes disse...

Por muito incenso que aos meus
talentos alguém me dê,
não me comparo com Deus~
que me fez essa mercê!

JCN

João de Castro Nunes disse...

Tirando o caso dos santos,
a modéstia desmedida
e nunca livre de espantos
é por isso descabida.

Quantas vezes mais não é
que estudado fingimento
à procura de maré
para atacar no momento!

JCN (um pobre diabo com a instrução primária)

João de Castro Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João de Castro Nunes disse...

Eu tenho maisnque fazer
do que aturar as serpentes:
nada me obriga a sofrer
a peçonha dos seus dentes!

JOÃO DE CASTRO NUNES