O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

É tempo

A vida das nações, e sobretudo dos Estados, divorciou-se completamente das aspirações mais fundas do ser humano, que dificilmente se revê em manipulações contabilísticas, no cinzentismo burocrático e num politicamente correcto que nada dizem a quem assume a existência como aventura de conhecimento e comunhão amorosa com os outros e com tudo. É tempo de surgir uma alternativa social e cívica que nos remova do indiferentismo e da clausura na vida privada, dando outra cor e alento à vida pública.

22 comentários:

Fausta disse...
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Fausta disse...
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Fausta disse...
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Fausta disse...
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Kunzang Dorje disse...

eu só oiço os políticos a dizer que é preciso apertar o cinto. O que achas Fausta? Por que não desapertá-lo?

baal disse...

é a realidade reduzidos à vida privada somos facilmernte controlados. o problema é que este sistema organizado (capitalismo) sabe o que faz e não é fácil combatê-lo. somos peças de um corpo quase inatacável. a saída 'soft' associações cívicas horizontais reunidas em forum para decisões. democracia participativa. o imenso problema é a partidocracia que forma lideres que nunca sentiram a vida real e cujo trabalho 'é bajular para subir'.

existia uma solução 'os filósofos ao poder' .

Fausta disse...
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Julio Teixeira disse...

Sinarkia...

baal disse...

é preciso,pelo menos, dizer alguma coisa ou voltamos ao tempo do fascismo em que os trabalhadores e os seus filhos (que com 13 ou menos eram obrigados ao mundo do trabalho) viviam em bairros de lata e diziam:

'baltazar pedreiro passa
a vida a trabalhar
e não tem casa para morar'

este fascismo está cada vez mais parecido com o outro.

à luta

João de Castro Nunes disse...

E porque não... os idiotas ao poder?!... Sempre podiam dar... alguma ideia! JCN

Fausta disse...
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baal disse...

no fundo, bem lá no fundo, a ideia não é chegar ao poder é destruir todo o tipo de poder.

mas esta é outra conversa

Anaedera disse...

Nos divórcios, cortam-se relações burocráticas, aspectos sociais de imagem pública já enfadonhos de manter.

E é por se valorizarem aspectos verdadeiros dos relacionamentos, que o mundo e a realidade em que vivemos permite existirmos como aventureiros, na escolha de ser cor ou a sua ausência, em comunhão amorosa com o que escolhermos.

A "alternativa social e cívica" parte das escolhas individuais e privadas de cada um.

Só assim o "caso" público poderá espelhar a verdadeira diferença da sua "esfera" privada.

João de Castro Nunes disse...

Cabeça de cartaz... ou cabotino, ó Fausta? JCN

saudadesdofuturo disse...

Como sou gentil, Fausta, devolvo-te a pergunta. Queres uma alternativa que nunca se concretize??

Tu é que fizeste a pergunta e a ela respondeste...

Também não te deixam outra alternativa...

Mas eu conheço uma, Fausta,e a ti serviria melhor do que a ninguém...
Terás que adivinhar qual é.

Mas digo-te já que não passaria pela atitude "irreverente" que adoptas, pois essa é a que verdadeiramente faz "lamber os beiços" aos divorciados da vida, chamemos-lhe assim.

O que eu vejo é outra coisa... Vejo a imbecilidade a lamber o chão aos governantes divorciados do que verdadeiramente interessa ao ser humano ou a quem vive, como escreve o Paulo, a vida como aventura e comunhão amorosa...

Lembro quase sempre Agostinho da Silva, quando leio estas ideias que procuram romper com o "politivamente correcto".

Sorrio. E essa é a minha resposta, Fausta.

Devias fazer o mesmo, previne as rugas e é uma alternativa, decerto às caras que vemos todos os dias no trabalho.

É caso para dizer: Irra! Senhor Abade!

Piscadela de olho a JCN, Fausta, Paulo, Baal, Caralinda, Platero, Júlio Teixeira... Anaedera, Kunzang... e outros tantos "doidos, utópicos,aventureiros" e, como não podia deixar de ser... idealistas.

Não é, Fausta? :)

É sempre um prazer dialogar com "inimigos" do seu nível de idealismo...
(risos)

E já agora, ir ao fundo da ironia... Pergunto:

Se toda a gente se divorcia, porque não o Estado?
Talvez seja um sinal de modernidade...

saudadesdofuturo disse...

Paulo,

Merece, obviamente, uma reflexão séria, este seu "alerta" ou esta sua reflexão. A vida das nações é por si só um conceito que precisa de ser revisto, o mesmo o de Estados. Tudo deverá ser posto em causa, para que se baralhe de novo e se comece um novo jogo. Sei que partirá de dentro, e que contagiárá, como tem dito, outros.
Sei que tem que ser com conhecimento (não o que se aprende nas escolas...)deve ser com Amor, sim, verdadeira compaixão pela singularidade de cada um, pelo que cada um tem da centelha de que o divino é manifestação. Deve ser diverso, já que tende, disse-o "o filósofo da liberdade" para a unidade. Pois que dela é manifestação...

A "cor" é a do "cor" e é também a da riqueza da diversidade. É ela que torna a ideia de unidade a grande utopia... (que a Fausta tão generosamente quer para o mundo).

Não reli, como é meu costume, é possível que contenha muitos enganos... não importa se se compreender a ideia...

Um abraço a todos e um especial a Fausta, de quem sou Amiga, se ela quiser...

Paulo Borges disse...

Nada sei e nada tenho como certo senão que tudo tem de ser posto em causa: baralhar e dar de novo!

saudadesdofuturo disse...

Muito de acordo consigo, Paulo.

Saúde!

Anaedera disse...

“…quanto ao intelectual cabem-lhe as maiores responsabilidades na luta política dos povos.”
Fernando Namora, 1977

Rui Miguel Félix disse...

Há luta por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.

A. Aleixo

Paulo Borges disse...

Sábio Aleixo!

Abraço

João de Castro Nunes disse...

A questão que nos domina
e que sempre existirá
e saber quem haverá
de encontrar essa doutrina.

JCN