O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

comprei o Inverno no alfarrabista
a um tipo que vende terrenos na lua
Enganou-me
Contou-me o conto do vigário

é assim o paladar da loucura
instala-se
se outro tempo houvesse
eu não estaria internada

5 comentários:

João de Castro Nunes disse...

Mas que grande vigarice! JCN

paladar da loucura disse...

E não é? O Inverno a preço de saldo?
O conto do vigário? O Paladar da Loucura? Uma vigarice pegada!

João de Castro Nunes disse...

Quando quiser comprar invernos amenos e aprazíveis, fale comigo... que, sem vigarices, vendo poeticamente terrenos no mundo das estrelas, muito pertinho do céu! É lá que os passa o meu grande amigo Pablo Neruda, que me conquistou com a sua "Bóina gris". JCN

paladar da loucura disse...

É tentadora a proposta. Aumenta o desgosto de ter tudo gasto na vigarice do outro!

nuno disse...

O abismo dos dias cresce
a realidade impõe-se crua, fria
o vento rodopia dentro de nós
e de nós dentro, o vento
um grito sem tempo, marés perdidas
ecos.

Tudo deixa a sua luz
que perpassa éons de tempo
o esgar primordial invento, amor
além do mundo, azul sem fundo de nós cheio
lonjura pura sem fim, sem meio
pensamento.