O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ser de,



“És da origem do mar, vens do secreto,
do estranho mar espumoso e frio
que põe rede de sonhos ao navio
e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afecto,
as dormências nervosas e o sombrio
e turvo aspecto aterrador, bravio
das ondas no proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
surges das águas mucilaginosas
como a lua entre a névoa dos espaços...
Trazes na carne o florescer das vinhas,
auroras, virgens músicas marinhas,
acres aromas de algas e sargaços...”

FLOR DO MAR, Cruz e Sousa.

5 comentários:

Paulo Borges disse...

Flor do mar e de poesia. Muito grato!

Anaedera disse...

E de sal, de areia e de saudade.
Grata eu.

João de Castro Nunes disse...

Saberão do que estão a falar?!... JCN

Sereia* disse...

Sem palavras de tanta beleza que vi neste post! Que bonito!
Fico muito grata pela partilha*

Julio Teixeira disse...

Que língua é essa?
Permite tanta arte!