O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Invocação



Que o mundo seja tudo menos prisão

Ou até isso

Se isso for abertura para o infinito

Cada coisa por mais ínfima à luz do coração

É imensa e sem limites

Nada merece tornar-se substância

Em sentido primeiro ou segundo

Os seixos da praia não têm arestas

São burilados pela alma do mar

Assim a vida nos seja fecunda

Vária a alegria de ser sem limites

Que nem alegria é

é mais que isso

Sem ser menos que nada

Tem em si todo o firmamento

Quem se desfaz a cada madrugada

8 comentários:

afhahqh disse...

Paulo, bom dia, és tu que tiras as fotografias?

Paulo Feitais disse...

Bom dia!
Sou sim.
:)

João de Castro Nunes disse...

É o que se aproveita!... JCN

afhahqh disse...

Brutal! Merecem uma exposição. Já fizeste alguma?

Paulo Feitais disse...

Não. Não penso nisso.
:)

afhahqh disse...

Pena.
Abraço.

João de Castro Nunes disse...

Nada vale a pena... quando a alma é pequena! JCN

platero disse...

Paulo

gosto muito do poema, sobretudo.Estás em forma

abraço