O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 14 de setembro de 2009


"Abrir a alma à piedade"

De Marco Aurélio, o imperador romano
famoso pelo seu epicuriamo
se diz, falando em termos de humanismo,
que respeitava, além do ser humano,

toda e qualquer vivente criatura,
fosse grande ou pequena, linda ou feia,
de mansidão dotada ou de bravura,
bicho de toca, aranha em sua teia.

Conta-se até que, quando passeava
nos seus jardins, a meditar sozinho,
e por casualidade se cruzava

com qualquer formiguinha no caminho,
detinha o passo para, em paridade,
ver quem teria ou não... prioridade!

JOÃO DE CASTRO NUNES

Coimbra, 14 de Setembro de 2009.

1 comentário:

Kunzang Dorje disse...

Caro JCN,

o seu soneto fez-me recordar uma passagem no livro "Sete Anos no Tibete", no qual o autor escreveu que os tibetanos, ao cavar a terra, tinham muito cuidado em não matar a bicharada que por lá passava.
Saudações para Coimbra, a cidade que "tem mais encantos na hora da despedida".
Já percebi por que é fã de Camões...