O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

com deus, tudo é permitido

14 comentários:

João de Castro Nunes disse...

É caso... para aproveitar! JCN

frAgMentus disse...

tendo em consideração de que todos somos deus...ui ui ;)

João de Castro Nunes disse...

... ou partes d'Ele! JCN

Damien disse...

"Com deus,, tudo é permitido".
Sem d|Deus, também, Baal!

Mais ainda, só a d|Deus não é tudo permitido. Se assim fosse, ser-lho-ia até aquilo que, ao homem, o homem entende não ser moral ou eticamente permitido.

Aliás, como diz São Paulo:
" Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma"
(1 Co. 6,12)

P.S.
Aquilo que agnósticos e ateus, um tanto ingenuamente aliás, imaginam ser uma vantagem de d|Deus, é, sim, um privilégio que é (por este) dado ao homem.

baal disse...

como se deus , damien, fosse diferente do homem, como se existisse criador e criaturas, já sabemos desde espinosa que a substância, os seus modos e atributos são o mesmo. todos no mesmo plano de imanência, nada é emanente porque não é necessário.

baal disse...

é verdade fragmentus, todos somos deus, porta-te bem
abraço e vê lá as sensações (para) divinas.

Damien disse...

Espinosa, de vez em quando, "ressuscita", quando "dá jeito", não é mesmo? É pena só servir para isso, para dizer o, pelos vistos, "e-vidente".

Talvez haja, entretanto, uma subtil diferença entre:
Tudo é Deus.
Tudo está em Deus.
Deus está em Tudo
Deus é tudo.

Ademais, parece-me que Espinosa pouco ou nada disse que o Vedanta Advaita não houvesse já dito, e melhor dito, uns bons séculos antes (ainda que menos "geometricamente", concedo) com os atributos saguna e nirguna de Atman e Brahman, com Purusha, em seus aspectos kshara e akshara, e a "transcendência imanente" de ambos, em Purushottama.O que eu disse em nada o contradiz.

Desde que, na linguagem cabalistica do mito judaico-cristão, "adão" e "eva" "comeram" da "árvore" do conhecimento que "somos como Deus, sabendo o bem e do mal" (Gen.3,5).

Além disso, tende-se a confundir, no homem, aquilo que nele é a "imagem de d|Deus" com a semelhança divina. Aquela permanece intacta, haja o que houver; esta, pode "embaciar-se" na sua pureza, tal como um diamante, que não haja sido devidamente lapidado.

Quanto à "di-ferença":

Se d|Deus é da mesma natureza que o homem, o ateísmo e o agnosticismo são o mais puro e cego misticismo: ateísta e agnóstico falam do que não sabem que são, como não sendo o que são.

Se o homem é d|Deus, logo, divino, fica por apurar porque é ele tão pouco "divino", e outrossim tão pouco "humano".

baal disse...

responderei. mas digo em relação a adão, deus só lhe disse que a maçã podia causar uma indigestão. porque era um corpo que o outro não conhecia. adão escolheu e não me parece uma má escolha. corpo homem, corpo maçã devir de eva, liberdade de deus (mito), para quê a transcendência.
aproveito damien para pensar so bre o seu post (este computador é cerebralmente lento).
é interessante como cérebros sabem tanto sobre cérebros, e esquecem aquilo que não alcançam saber. o que está entre cérebros, o que é interstícios entre conexões? pensemos? a criação, sim... mas a criação humana, mesmo sendo a do cérebro que não conhecemos. rizoma molecular.

saudadesdofuturo disse...

Tenho alguma dificuldade (é a minha dificuldade) em situar-me na pura abstracção das ideias. A experiência é, no meu caso, fundamental para a compreensão do mundo. Sei-me do Real e não consigo ver Deus “limitado” a estar fora ou dentro do mundo. Não está em nós nem em Deus, se o buscarmos, nem na imanência nem na transcendência. Se o não buscamos ele está lá (mesmo para lá) do mistério que se nos revela, aflorando ao pensamento, dentro e fora de nós. Na Natureza e nas Ideias... “Imanência trancendente! ou “transcendência imanente” parece-me ser o lugar insituável de Deus e do Tempo. Quem sabe, por isso, (a) deus nada é permitido, sendo ao homem dado o “livre arbítrio” de ser deus ou de o negar; de ser e não ser, de não ser nem não ser... Daí concluir que ao homem tudo é permitido... mas, aqui consigo, sem nenhuma dificuldade seguir São Paulo, " Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma". A frase “com deus tudo é permitido” não me parece fazer muito sentido, talvez até me pareça algo “perversa”... digna de um “endemoinhado” deus: baal...
a quem mando um sorriso “imanente e emanente”.
Um sorriso também, evidentemente, para Damien, e para a Frag, e para o para-sensorial e o JCN.

João de Castro Nunes disse...

Será que Deus, com maiúscula ou minúscula, anda por aí... à mão de semear?!... JCN

Damien disse...

Diferenciemos "com deus tudo é permitido" e " com Deus tudo é permitido".

Na primeira, Deus é "apoucado" para se humanar e desintegrar no homem, divinizando-o: foi o que, para cristãos, Emmanuel veio fazer, naquilo que os padres gregos denominam "kénosis", aniquilando-Se enquanto Deus, e, como homem, "dando-se até à morte, e morte de cruz", como diz São Paulo (cito de memória).
Neste sentido "com deus" quer dizer que tudo é, ao homem, permitido, se for deus: coisa, porém, a provar.
Aqui temos o Deus-Homem: "Um menino nos nasceu", "Ecce homo!"

Na segunda, o homem é "engrandecido", para se deíficar, e de novo integrar a plenitude do ser homem tornado pleno "em", "por" e "com" Deus.
Aqui temos o homem-deus: "sereis como deuses", "sereis como anjos".
Coisa a provar-nos Deus.

Quanto à minusculação: estou seriamente a pensar em fazer aqui uma quotização, para comprar um teclado novo a Baal, ups, a baal.

Abraço ao caro serpentino "baalúsculo": fica assim em dúvida se seja maiúsculo ou minúsculo...

(Também nisso, somos todos demasiado "iguais", no sermos tão omnipermissivamente "diferentes"...)

João de Castro Nunes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João de Castro Nunes disse...
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João de Castro Nunes disse...

"Igual" ou "diferente", estou "omnipermissivamente" disposto a contribuir para a compra do "teclado novo" . É só dizer! JCN