O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Convolução

Inventa um trespasse
que em parte alguma te toque.
Tecida a filigrana,
ausente na forma da imobilidade
em que te vês inominável,
recrias-te nú,
despido do Universo.
Todo esse espaço onde não és,
onde a existires é dizeres
que esse ser-se não existe,
é, nesse vazio,
o mais que se te abrilhanta,
o grande nada,
onde nunca te encontrarás à tua espera.

4 comentários:

Anaedera disse...

Vazio figurado em um tapete de seda ao vento,
É clara esta imagem,que me transmite este texto.
muito bonito

Rui Miguel Félix disse...

Obrigado Anaedera.

Grato pela sugestão-partilha da sua imagem. Bela e serena.

Um abraço.

Paulo Borges disse...

Belíssima imagem e poema!

Sereia* disse...

Um Universo líquido e alaranjado, cujo centro tem qualquer coisa de floral.

E, nele, nunca me esperar, nem nunca me encontrar!

Que belo!
Beijos para ti, amigo*