O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 15 de setembro de 2009

A preocupação com a identidade é uma ocupação com a diferença

5 comentários:

Damien disse...

Os contrários, de tal modo (entre si) se confundem, que chegam a fazer-nos crer que os discernimos quando mais eles nos baralham.

Como se dum baralho de cartas se tratasse, para que o jogo da vida em nós mais seja honesto, distinto e "vencível", mais importa que baralhemos os trunfos que se nos dêem.

É quase um jogar com o próprio jogo: como parceiro e como adversário.

Belo jogo! Excelente engano.


(Estupenda, a frase para este pretexto)

Paulo Borges disse...

Inconfundível é a nossa e sua confusão...

antiquíssima disse...

Ver identidades é estabelecer diferenças.

saudadesdofuturo disse...

É por nos vermos idênticos a nós mesmos que estabelecemos diferenças, e nisso andamos ocupados, para não nos confundirmos com o outro. Esquecemos, na verdade, que essa ocupação em estabelecer dissemilhanças - que podem não ser, necessariamente oposições ou contrários - nos inibe de nos fundirmos no diverso, no que não é idêntico. Na alteridade buscamos a diferença, para mais nos assemlharmos àquilo com que nos preocupamos: ter uma identidade. Em síntese: pre-ocupamo-nos em ocupar-nos. Deviamos ser mais simples. Também acho!...

Um abraço. Grata pela reflexão.

antiquíssima disse...

Uma solução possível é a "Indifferenz" schellinguiana.