O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Contrição


Pintura: "anjo"

O Caminho
não pode ser percorrido
num instante
Mas deve ser perfeito no Instante

Só perfaz o Caminho
quem em si se cala
e no grito supremo
instala a morada
do sopro mais ténue
da sua respiração

O silêncio
é a vibração do oco do tempo
em campânulas aceso
no seio da obscura
presença da totalidade

em flor o olhar
o perfume a essência
o longe que vem anunciado
no vento das vésperas

10 comentários:

saudadesdofuturo disse...

"Em flor o (meu) olhar"... o vento das vésperas anuncido para o dia em que no "grito supremo" a perfeição alcance a tecitura do teu texto, a minha alegria, Paulo de te ver por cá acenando, vibrando no "oco do tempo".

Como sempre, o meu olhar é uma funda Saudade e um aceno à tua escrita e ao teu coração...

Bons dias de regresso...

Paulo Feitais disse...

Não se "regressa" ao mesmo, nem o mesmo regressa.
:)

saudadesdofuturo disse...

Um abraço n'Isso!

Um sorriso, também :)

Rui Miguel Félix disse...

Meu amigo,
tomo destas palavras a água da clarividência, vislumbre, instante infindo de magna dimensão; ido olor d'essência que recolho do futuro.

Grande abraço Paulo!

Para vós sorrio :)

Saúde!

platero disse...

por agora

só para deixar um bien-venu
E esta?

abraço

(...) disse...

... desse olhar que nos espreita sem que nós nunca o captemos, embora sempre o pressintamos... que oferece a sua inteligibilidade por algo que só existe não porque possa ser fixado, mas porque sempre pode ser intuído... que se torna presente à reflexão exactamente pela sua distância... que surge como instância reveladora do invisível na visibilidade da sua própria invisibilidade.

aurora disse...

As tuas pelavras são asas, Campaínhas do silêncio.
Grata.

"A mente, na verdade, é o mundo(samsara).
Devemos purificá-la energicamente.
Assumimos a forma do que há em nossa mente.
Este é o etrno segredo."
Maitri-Upanishada

magnas reflexões diárias disse...

Não dá. Hoje, na rua, uma burra disse-me que eu era burra. Fiquei triste. Preferia que o reconhecimento tivesse vindo de alguém inteligente... Ao menos, duvidaria...
Uma campainha de silêncio tilintou-me na mente esta verdade e não sei como purificá-la energicamente. Só se zurrar mais alto...
De qualquer forma, sei que me perdoarei!

Luiza Dunas disse...

Tão belo, tão belo..
A essência que torna presentes no olhar todas as distâncias.

Um abraço, Paulo.

essência disse...

"Sabes muito, ou seja, não sabes nada."

PB