O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Animais-máquinas ou de como os filósofos podem ser muito estúpidos

"Na Holanda discute-se agora, alto e bom som, se os animais são máquinas. As pessoas até se divertem a ridicularizar os cartesianos, por estes conceberem que um cão que é agredido emite um som que é similar ao de uma gaita de foles quando é comprimida"

- G. W. Leibniz, Carta de 1648 a Ehrenfried Walter von Tschirnhaus, in G. W. Leibniz, Philosophical Papers and Letters, Dordrecht, Reidel, 1969, pp.275-276.

8 comentários:

Maria Ana Silva disse...

Uma questão indissociável desta, e tão ou mais perturbadora, é a do homem-máquina.

Anaedera disse...

Quem sabe um dia, se para que exista sensibilidade, não mais tenha que existir maldade.

Paulo Borges disse...

Sim, as duas excluem-se desde sempre.

Maria Ana Silva disse...

sim, um dia. podemos não saber quem o saiba, mas talvez baste saber quem simplesmente o seja.
e todo o ser nasceu para... ser.

Exclusões disse...

Estou convicta de que o mestre se suicidou, mas conseguiu sobreviver. Um dia, removeu o eu caótico como se de um apêndice apodrecido se tratasse e agora diz que vive bem. Fundamentalista do zero, dog maticamente Vazio, tornou-se um escravo do Sim. Acontece a quem tudo relativiza até ao escoamento de si mesmo. Um homem-máquina, sem dúvida, bem desconstruido,liberto pela ausência, sem Raul, sem Leal, sem Deus.

baal disse...

já não é, nem nunca foi em nome dos animais, sim em nome de uma coisa estranha que se parece transformar numa forma de vida (ppa).
arrivedeci.

Urso disse...

vai comer os teus bifes, baal, pseudo-revolucionário

bitoque disse...

"Tudo é bastante."
PB