O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 25 de julho de 2009

Do Alentejo profundo: a religião da Terra ou a terra da irreligião?

64 comentários:

Anónimo disse...

Só quem não conhece o Alentejo profundo e intemporal pode dizer que ele é "a terra da irreligião"! Ainda o ocidente não tinha crença alguma e já, nos tempos primordiais da pré-história recente, o Alentejo prestava culto às águas e às pedras, como de resto ainda se mantém... culturalmente falando. Leiam o Torga!

parasensorial disse...

Anónimo, concordo em absoluto. Mas que lugar para o cristianismo no Alentejo profundo e intemporal?

parasensorial disse...

Desde pequeno caminhei pelos campos com a minha avó a apanhar e a apreciar pedras :)

parasensorial disse...

Tens um local profundo e desértico acerca do qual se diz que a sua água cura muitas doenças, São João do Deserto.

baal disse...

tenho ascendência alentejana e sempre senti que são pessoas extremamente religiosas, mas de uma religiosidade não organizada, uma fé em deus que ultrapassa a igraja e que se funda na terra e na resistência à adversidade.a solidez em relação à vida é uma evidência para as gentes alentejanas.

parasensorial disse...

Baal, concordo em absoluto. Creio que a religiosidade alentejana é fundada na Terra, com T maiúsculo, tal é a adoração à terra e aos seus frutos. Tudo o que o povo alentejano tem é a terra e os seus sonhos, o sonho de uma vida melhor. Considero o solo alentejano sagrado.

parasensorial disse...

Considero-o sagrado ao contrário do solo por exemplo lisboeta. O Mircea Eliade fala sobre isso num livro que penso chamar-se "O sagrado e o profano", do espaço sagrado e do espaço profano.

Anónimo disse...

Independentemente das suas telúricas raízes, incontornáveis, por que razão não há-de haver lugar, na alma do povo alentejano, para a vivência do cristianismo, que nada tem a ver com a natureza propriamente dita. Admitir o contrário, seria admitir que igualmente, nos dias de hoje, não haveria lugar para qualquer outra modalidade de crença ou prática religiosa. O cristianismo não tem lepra! JCN

Anónimo disse...

Retomando o meu primeiro comentário, onomasticamente anónimo, eu diria, com Maurice Barrès, que o Alentejo é religiosamente um daqueles sítios "où souffle l' esprit". Sente-se à flor da pele! Leiam Torga, repito. JCN

parasensorial disse...

Resta-me dizer que o padre que conheço faz um excelente trabalho na união dos idosos, leva-os em viagens, já os levou a Israel e por isso penso que tem um papel importante. Mas há quem não se renda e continue a adorar as pedras, a crer na eternidade do mundo, a sonhar com o mar: ora estas crenças são incompatíveis com o cristianismo.

Anónimo disse...

Olhe que não, olhe que não! JCN

nuno maltez disse...

concordo que é a religiião da Terra.

Pub. ao que escrevi no meu blogue há pouco:

na praia do vento habita a serpente sem tempo.

ninguém mais habita ou passa aqui. só eu e a serpente conhecemos este nunca.

nesta praia de soli-dade, vem ao meu encontro sempre que me deito no areal fino.

vem de longe, dos rochedos à minha esquerda, dos seus nuncas, para que nos percamos nos nossos sempres.

sob o céu atlanticamente laivado a escuridão, morremos para a vida morta.

despertos para a morte viva ultrapassamos todas as fronteiras, bebemos o vinho da sagrada ilusão.

embriagados espantamos o tempo que espantado se interroga sobre o nosso ser devirante.

descobrindo a sua própria ignorância percebe-se criado e vassala a nossa inconsciência do sempre ter ou não ter havido - que interessa?

já libertos damos connosco nos rochedos e mergulhamos lentamente e sem susto na atlântica escuridão.

subitamente nada mais somos que imanência de luz raiada, tudo agarrando de mãos abertas na sua sensualidade.

Anónimo disse...

who cares....................

Anónimo disse...

texto muito bom mas que poderia ser resumido assim: eu quero o mundo. mas isso já os ddors disseram pa.

nuno maltez disse...

muito obrigado a todos pelo comentário ao meu texto. a sério. contem sempre comigo, tá? ainda assim, um abraço.

maltez disse...

a propósito tenho uma pergunta: por que é que um dos parênteses depois de "o entendimento de tudo" é de cor diferente do outro (cor de laranja)?

maltez disse...

estou a sentir-me tão bem... leve... relaxado... com vontade de comunicar... apetece-me fazer amor... há aí alguém que queira vir a minha casa?

maltez disse...

amo-vos.

maltez disse...

pena o amor não ser uma relação sim+etrica.

maltez disse...

o novo post do meu blogue:

se fosses meu filho ou irmão e tivesse que dar-te um conselho para a vida, diria apenas uma única palavra: ama.

ama
ama
ama

eis a verdadeira religião


ama homem
ama mulher
ama

eelvado ao expoente da loucura como diz o outro, vitor espadinha?

Anónimo disse...

Isto é poesia... ou prosa a retalho?!... E, ainda por cima, não sei se mais difusa se confusa! Para o meu gosto estruturalmente cartesiano, sem deixar de ser eminemtemente poético. Não me dou com as nebulosidades, razão por que me encanta o Alentejo com as suas azuladas transparências! Um céu permanentemente limpo, como na mauritana Mértola. Viva o Cláudio Torres!

maaltez disse...

sinto-me tao bem... gostava que todos se sentissem assim relaxados....

nao ha pascoes nem pessoa nem ninguém

há toodos

uma comunhão de amor
vamos
uma comunhao de amor

maltez disse...

anónimo amo Mértola e as suas gentes.

maltez disse...

aamo mértola, amo castro, amo ferreira, amo montes velhos, amo beja, amo aljustrel, amo as vilas e as aldeias, e as estradass e o campo e o céu e o campo sim o campo onde tanmtas veszes me perdi..... amo o alentejo a terra onde nasci.

maltez disse...

mas nada como amar as pessoas.
as pessoas são o maoior bem a ser amado.
e os animais também sim

e digo-o egoisticamente porque amo o meu cão.

se houver céu espero que ele esteja lá comigo

quer dizer se eu não for para o inferno.

maltez disse...

amo odemira e alvalade e sãao luis e cercal ......... amo todo o baixo alentejo.......

maltez disse...

como penso que diria Paulo Borges, é um amor apegado e dualista...... mas não é todo o amor apegado ao amado....???????

Anónimo disse...

No que deu a "conversa" alentejana!... "Porra, senhor abade!", como gostava de dizer o carismático Bispo do Porto, quando escandalizado. E com isto me vou, que já os pássaros se estão torguianamente recolhendo aos ninhos. JCN

maltez disse...

amo a terra do baixo alentejo.-... deitar e rebolar-me nela, esgravatar, sujar-me, cansar-me e trabalhá-la (o que só fiz uma vez - luto do meu avô).... Deus o tenha, um grande m+istico e músico desconhecido e pessoa adorada por todos..... alfaite, músico, diria mesmo filóso, quase vegetariano, não há palavras....

maltez disse...

confesso-me as minhas duas pátrias terrenas: baixo alentejo e sagres.

maltez disse...

JCN: mais umas horitas e ouvimo-los cantar....

maltez disse...

sabes o que se diz de um bebedo na "minha terra" (se os de facto da terra ouvissem dizer isto linchavam-me)

que est+a carregado que nem um burro

faz todo o sentido e ´+e um acena hist+orica

maltez disse...

e oo nome para alccol, bebida alcoolcia,


alcaria.

curiosament ehá uma terra chamada

alcaria ruiva.

mas há uma com um nome mais lindo

são pedro das cabeças.

maltez disse...

de caminho para odemira há um senhor que pegando no teu pulso sabe que doença tens. numa terra chamada boa esperança.

malttez disse...

perdão, a terra chama-se Bemposta.

maltez disse...

sabias que a heráldica de algumas terras tem o quarto crescente islãmico?

pois eu considero-me mais mouro que viriato.

maltez disse...

ao contrário de lisboa, que tem corvos, esses bichos suicid+arios.......... pássaros....

maltez disse...

a planície é bela mas desoladora, por isso de vez em quando é bom dar uma saltada a odemira para passar pela floresta...

maltez disse...

JCN: respeito muito o teu comentário ao texto que escrevi. obrigado e bem hajas. um boa noit epar ati.

vou ler o torga quando tiver tempo e dinheiro p comprar o livro.

maltez disse...

mas nºao nos esqueçamos dos poetas populares e desconhecidos alentejanos que andam de terra em terra a vender a ssuas ediçºões de autor. infelizmente como dei os meus livros já não os tenho, senºao agora citava aqui.

maltez disse...

quanto ao post, penso que se pode colocar outra quesstão:

É possível uma religião materialista? viarada para a matéria, pondo oesp+írito, o coraçºao na mat+eria? penmso que ´+e uma pergunta interessante

exalto o parasensorial ou alguém a postar sobr eisso um destes dias.

maltez disse...

amor para todos. boa noite. bom acordar. bom dia. boa tarde. bom entardecer. boa noite. boa vida. vida boa. vi da boa :)

maltez disse...

esqueci-me do bom adormecer. ser+a porque não chegamos a acordar? o Paulo Borges até se passa com estas intromissººoes egocêntricas e impulsivas.

mas confesso que nao são egocêntricas, ma sevidentemente impulsivas.

eestou a escrever com erros porque à pressa. sorry.

maltez disse...

não é que tenha que ir a lado algum mas para n cortar o pensamento.

perguntaria baal

mas que pensamento?

maltez disse...

a verdade é que eu amo esta merda. desculpem a linguagem, mas é assim.

maltez disse...

ardo nesta fogueira, mnas não ardemos todos numa?

maltez disse...

resumiria a minha religião numa palavra, extremamente influenciada pelas palavra d Crsito e pelo que aprendi com professores mas também, e princpalmente a falar com pessoas de igrejas:

ama.

penso que esta palavra substitui toda a Bíblia.

maltez disse...

mesmo em tempo de alfição, quando precisamos de um Salmo, se nos concentrarmos na palavra "ama", no seu significado, e mais ainda nas suas implicações, na alegria que traz, em tudo

ela funciona.

maltez disse...

assim se ser religioso é amar, a religião é amor.

maltez disse...

os beatles têm razão. tudo o que precisamos é de amor para resolver os problemas do mundo.

Anónimo disse...

Hás-de-me dizer onde é essa tal tua "terra" para, "carregado que nem um burro", ir lá cumprimentar a sua hospitaleira gente, correndo embora o risco de ser linchado. E dizes tu que "amas" tudo o que é alentejano! "Porra, senhor bispo!", digo eu agora!
E com esta me deito, que já os pássaros estão prestes a cantar. JCN

maltez disse...

JCN: porque não sou um filho da terra. não fui l+á criado. é diferente. é assim em todo o lado. territorialismo.

maltez disse...

um reparo: se l+a fores serás muito bem recebibo. mas não és da terra. recebo-te em minha casa.

maltez disse...

de bom grado e com honra.

maltez disse...

eu mostro-te a terra e as terras e os campos e tu mostras-me o torga.

maltez disse...

dar e receber a candeia que queremos acender. (sem conotações)

maltez disse...

JNC dou-te um exemplo:

certo dia um patrão estrnageiro afirmiu que os trabsalhadores da terra eram maus e preguiçosos, que nºao valiam nada. um deles esperou-o à porta do restaurante a agrediu-o correndo o risco de ser despedido, mas para defender a sua honra e a da terra que ama. considero-o um acto her+oico, apesar de violento.

Anónimo disse...

Fica combinado! E levo uma mão cheia de poemas... ao meu jeito. JCN

Anónimo disse...

Fez o trabalhador muito bem! Pela minha terra... eu teria feito o mesmo, mesmo correndo o risco de ser preso... por desordeiro, como sucedeu a Camões, que foi malhar com os ossos nas paragens hindustânicas, de onde, para se vingar, trouxe os "Lusíadas". "Atirai pedras, medíocres!"
JCN

maltez disse...

fica com o meu mail: nunomaltez@hotmail.com

vou dormir

abraço.

a um pirilampo, disse...

Ó maltenz, há uma erva daninha no interior de ti que te devora a carne! Já notaste ou não? Nesse excesso que te minimiza... Nessa falta que te aumenta a pequenez... Nesse amor tão absolutamente ab-so-luto que te obriga mentirosamente a distribuir contactos pela estrada fora à espera de uma boleia desconhecida que te salve da fera. Porque te amas assim?:Q)

maltez disse...

porque sou português :) mas é verdade meu caro, é verdade.

Anónimo disse...

Clarividência e sinceridade... acima de tudo! JCH

cara disse...

maltez, caro é a tua avozinha, chavalo!