O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Trans-Pátria - Da condição do interesse filosófico por uma nação

"Um espírito filosófico não pode interessar-se particularmente por uma nação senão quando ela lhe aparecer como condição do progresso da humanidade inteira"

- Schiller, Carta a Körner (1789).

12 comentários:

Anónimo disse...

Isso é cada vez mais difícil nos tempos que correm e com as nações que temos... espelho dos homens que somos.

Anónimo disse...

Assim como um ser é iluminado quando o mérito das suas acções é dedicado ao bem de todos os seres do Universo.

Grato pelo post.

Nuno Maltez disse...

Um espírito filosófico interessa-se sobretudo, penso eu, pelos outros e pelo seu desenvolvimento. Tal era o caso de Sócrates, tal é o caso do sonho que tive hoje: um eminente filósofo que tinha aberto uma escola de filosofia numa esplanada, não porque a filosofia seja conversa de café, mas porque queria dar formação filosófica a todos quantos os que a quisessem ter e tivessem a oportunidade de passar por e estar ali. Um pouco como acontece em algumas universidades francesas, segundo o que ouvi de um antigo professor.

Caro Paulo, as nações estão para morrer e o dia chegará em que existirá uma única grande nação, essa mesma, a Humanidade.

Um abraço, Nuno.

Comentador disse...

Também pensaram isso no final do século XIX...

Nuno Maltez disse...

Quem? Há que ter em conta o poder mediático no início do séc. XXI e o que daí advém - a capacidade para locais muito distantes se influenciarem, com mais ou menos força (Irão, Sudão, Iraque, Afeganistão...), petições na internet, "guerras para a tv em directo" (desde o Kwait), uma sociedade cada vez mais deslocalizada e em rede.

Apesar de os nomes (de países) serem necessários, excluindo o caso da cidade em que as ruas não têm nomes (Nova Iorque), mas números, sendo aquelas ainda assim identificáveis, penso que no futuro (futurologia) o nome dos países servirá apenas para identificar uma zona (geográfica) e não um "continente" político.

Segundo esta teoria, as fronteiras políticas esvair-se-ão, simplesmente porque existirá um única política, uma única lei, ainda que essa lei seja a ausência de uma lei escrita.

Provavelmente há um moroso caminho a percorrer, mas creio que lá chegaremos e gostaria que lá chegássemos.

Mesmo que chegássemos a esse idílio, nunca poderemos esquecer o problema da necessidade do trabalho físico e mesmo intelectual, para fins de sobrevivência e de boa sobrevivência.

E tudo isto é afirmado por alguém com pouco sentido de história, mas com amor pela mesma.

Cumprimentos.

Nuno Maltez disse...

Penso que nunca é demais relembrar este fabuloso vídeo, já referido na Serpente, em ocasiões como esta:

http://www.youtube.com/watch?v=uqKD7Bp0qsE

Chama-se "El poder en la historia".

Paulo Borges disse...

Caro Nuno, a sua aspiração tem sido a de muitos homens desde sempre. A questão é que não parece haver nenhuma evolução ou progresso que automaticamente nos leve nesse sentido. Enquanto houver dualidade e véus mentais e emocionais, haverá sempre a ficção da separação entre eu e outro, nós e os outros, com todos os racismos, sexismos, nacionalismos e especismos daí resultantes, com todo o sofrimento que daí só pode advir. Cabe-nos libertar-nos disso, sermos felizes e tornarmo-nos contagiantes, como dizia Agostinho da Silva.

Abraço

Sinfonia social disse...

Que bonito, o paraíso!

Indivíduo excluído disse...

Andam a beber o quê?

Anónimo disse...

hippies tolos

solto disse...

O que importa é ser contagiante.

Madalena disse...

Ora aqui está algo com que posso concordar em absoluto, se é que o absoluto existe.