O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 6 de outubro de 2008


quem não puder ser eterno
que seja terno
que a ternura é um pouco mais que eternidade
é saber que na entrega mais pura
há muito mais que claridade
há todo o mundo a arder e a desfazer-se ao vento
não mais que um lamento de saudade
o querer durar para lá da brevidade
com que tudo se dá sem recusa
venha a noite
e depois o dia
e o que não vem com o haver dia e noite
e a torrente confusa
de acordar e não acordar e recordar
tudo encostado à insone quietude do esquecimento

2 comentários:

Ana Moreira disse...

Hoje acordei para te aplaudir de pé!
Dizer lindo é muito pouco perto do magna destas palavras.

Anónimo disse...

Amei muitíssimo!