O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O cavalheiro dourado



As batalhas sangrentas ninguém aguenta
se a guerra for feita de puro espírito só
Somos o eterno bicho que sempre lamenta
feito de carne doloroso purulento e pó

E a guerra do espírito é incrível e cruel
muito mais do que a briga da palavra vazia
E mesmo quem venceu em tudo que queria
cai no campo castigado por não ser fiel

E quem degola é o cavaleiro dourado
nem sei quem é nem sei quem vai ser
e ele anula tudo que não é amado

e luta para o mundo – o mundo a haver:
Por não ser fiel ao espírito inesperado
o corpo do homem acaba desarmado.

Madragoa, 3 de Setembro 2009

para Isabel … e os outros…

6 comentários:

parasensorial disse...

Que o espírito em nós não morra nunca ao longo desta vida!

saudadesdofuturo disse...

Tão belo o "teu" Cavaleiro doirado!
Tão de carne e de espírito num só...

Belo!

Cinda disse...

Dirk, na Terra, devido à crueldade de que o espírito é capaz, se espera esse inesperado cavaleiro dourado! Que ele dimanasse da sua solene ausência a capacidade de, até aos infièis , amarmos em vez de os combatermos. Porque é com a luz no espírito que se espera o mundo por haver. Agradeço, Dirk, esse exemplo que és: amar o espiritual puro até noutra língua que te é estrangeira e inesperada. E, como brilhas com ela para pensar sob a forma do poema (!), que como costuma dizer a Isabel, vem a caminho, como o teu cavaleiro de espada dourada. Grata por te ler e ao que vem da Madragoa. Abraço.

baal disse...

eu era um cavaleiro e tinha uma amada...
o meu nome baader e o dela ulrike.
e existimos

Anónimo disse...

Baader-Meinhof, os anarquistas bombistas suicidários!

baal disse...

suicidários?assassinados na prisão.
o capitalismo não perdoa os justos.
honra aos que tombaram na luta,
vingança contra o fascistas.
armas para o povo na luta contra a opressão.