O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 8 de setembro de 2009

A minha pátria é a vacuidade

5 comentários:

Damien disse...

Pátria e exílio, ausência e presença, vacuidade e plenitude, creio remeterem-nos sempre, Paulo, para a perplexidade transitiva e transcensora, de que toda a polaridade é ponte, para o algures daquele nenhures que palavra ou comunicação alguma logra dizer ou sequer verdadeiramente silenciar.

Talvez só o transir imóvel, intransitivo e insituável, da grande perfeição da própria e natural sabedoria ou a comunhão de impassibilidade univária d'O triúnico teândrico e para-doxal tudo em todos que faz coincidir, no mistério indizível, o "vi o senhor!" com o "nunca ninguém viu Deus!" explodidos e implodidos ambos no "quem vê a Deus, morre!" - só estas extremitudes transradicais e ancoradamente radicadas (não digo que, indiferentemente, porque o não sei) só elas podem porventura ser arca, barca, nau, nave e ave da Vacuidade, nome e númeno da Pátria de (como escreveste) "Todo o Mundo-Ninguém"...

Abraço, Paulo.


P.S.
Escreveste, numa só frase, o que há a dizer e poder ser dito quanto a "pertença" absoluta e absoluta "livrança" d'Isso (d'Esse?) de que nos não cabe saber nem dizer!

olivromorreu disse...

Somos as pátrias uns dos outros.

Paulo Feitais disse...

A verdade da visão unívoca. Que não é visão nem é unívoca. :)

Paulo Borges disse...

Pátria-mátria-frátria e para além-aquém do além-aquém de tudo!

Saúde!

Rasputine disse...

Fazer da vacuidade o que quer que seja é ser um doente incurável.