O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

(d)o silêncio


(foto Frag.)
o silêncio não existe.
mesmo quando lhe tento penetrar, escuto o pulsar do meu coração e a inquietude da minha mente...ainda que em gritos mudos, sonhos e devaneios, agitações de samsara...e questiono-me se o silêncio existe, o silêncio (d)o silêncio...
meditar será reencontrar esse silêncio perdido de um longínquo paraíso do cosmos?

5 comentários:

frAgMentus disse...

talvez o silêncio seja um rasgo, um ténue vôo, ainda que de uma ave de asa ferida...

olivromorreu disse...

Ou talvez o Universo no seu esplendor/plenitude. Bj.

João de Castro Nunes disse...

Formosa imagem! Metaforicamente poetando, Neruda não diria melhor! Só que... muitas vezes me pergunto: será silenciso o cosmos ou, pelo contrário, gira ao som de beethovianas quintas-sinfonias imperceptíveis ao nosso ouvido de humanas criaturas?!... É um modo de dizer, toscamente divagando. É nessa imaginária música... que faço por me inspirar... quando componho os meus sonetos. Pretenciosamente. Frustradamente.
Apesar de tudo! JCN

Kunzang Dorje disse...

"Recolhe-te no silêncio e sabe que eu sou Deus"

luis santos disse...

De sons e de silêncio se faz a música, até mesmo a música das esferas, os cânticos celestiais. É daqui, também de dentro do peito, que saem todas as métricas, todas as plenitudes, todos os silêncios.

Bençãos.
Namastê.