O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

9.11



Algumas quadras do Mestre Aleixo:

Porque será que nós temos
na frente, aos montes, aos molhos,
tantas coisas que não vemos
nem mesmo perto dos olhos?

Há luta por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande.

Enquanto o homem pensar
que vale mais que outro homem,
são como os cães a ladrar,
não deixam comer, nem comem.
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Pouco mais a vida é do que um sopro, muito menos do que a força duma onda na praia, ou do que a irradiação dum pôr-do-sol de Outono. Contudo, o egotismo pode assumir a força destrutiva do maior cataclismo que possa ser imaginado.
Que se compreenda a desolação ínsita em cada forma de apego a sistemas morais, quando o Coração não carece de orientação outra para lá da perdição de ser sem limites. A verdade se for mesmo verdadeira é a maior falsidade, a mais destrutiva, se não soubermos coroá-la com o riso dos Perdidos, com o irromper, bem do fundo, da Alegria Mater, a Alegria que nem alegria se deixa ser, força incontível do que é gume, a aresta cortante que margina as faces opostas do que se vê, do que se vive, como acontece com as folhas de papel.
No afã de convencer os outros, convencendo-nos, vencemo-nos e, vitoriosos sobre nada, caminhamos como fantasmas nesta terra. Quando poderíamos assumir a mais funda, a mais perene, a mais excelsa das soberanias. Quem ama é do universo inteiro. Vive a ínfima potestade que alimenta o crescimento das ervas e comanda a força das marés, sem fatalidade ou constrangimento. E sem fingimento.
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5 comentários:

olivromorreu disse...

A vida é como uma onda na praia.

Damien disse...

Aqui me junto, oito anos volvidos, perante o silêncio dos inocentes, com soluçada gaguez entranhada nos poros todos e o olhar cegado por tais poeiras de desumanidade, não imaginando como haja sido possível semelhante holocausto de auto-libação.

Fosse daquele que molhara o pão neste mesmo prato, fosse de quem precisava de tal prato destruído para sobreviver à própria pequenez.

Em qualquer dos casos: davides às avessas, perante os golias da sua energumenidade!

(Obrigado, Paulo Feitais.)

baal disse...

os que nada têm e tudo prederam são mais fáceis de enganar pelas religiões, o 11/9 não tem desculpa mas tem uma virtude, os eua pensaram e deixaram de alardear o seu poder soberano que tantos crimes cometeu do chile à argentina, indonésia,e depois iraque e afeganistão. os mortos próximos culturalmente não são 'mais mortos' que os outros.
pensemos.

baal disse...

corrijo perderam, predadores são os capitalistas

luis santos disse...

Uma coisa te garanto, caro amigo, quando a consciência estiver ao nível das tuas palavras não mais haverão onzes de Setembros.