O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Bodhi


em oferenda de lótus e jasmim
caminho pelo (meu) mágico de jardim
e medito vacuidade
não-existência
luz
paz
e sapiência
quero acordar
para o nirvana, alcançar
bodhi

Jan.08


Bodhi (बोधि), é um termo Pāli e Sânscrito para "desperto" ou "iluminado", é um substantivo abstrato da raiz verbal budh (acordar, ficar acordado, perceber, saber ou entender), correspondendo aos verbos bujjhati (Pāli) e bodhati ou budhyate (Sânscrito).

(escutar Monges Budistas : "I wanna fly" )


8 comentários:

Anónimo disse...

Que bom rever-te por aqui!

interrogativo disse...

Será a vacuidade "não-existência"?

frAgMenTUS disse...

não-existência, potência de existência...faz sentido?

Nagarjuna disse...

Nem sim, nem não, nem sim e não, nem nem sim nem não.

Vacuidade da vacuidade.

frAgMenTUS disse...

td é vacuidade, certo?

e a vacuidade da vacuidade é...bodhi?!...

explique p/favor, Nagarjuna.

Nagarjuna disse...

"Bem-aventurada a pacificação de toda a apropriação, bem-aventurada a pacificação das palavras e das coisas. Nenhum ponto de doutrina foi ensinado a quem quer que seja pelo Buda" - Madhyamakakarikas, 25, 24.

Anónimo disse...

iluminação...pacificação...
e vacuidade da vacuidade, é isto?
perdoe-me a ignorancia!

fragmentus

Nagarjuna disse...

Cara amiga, não há nada nem ninguém a perdoar! Eu também não sei: sou apenas um ignorante que usa o nome de um sábio.
Creio que o que ele nos tenta dizer é o que se diz no quarto selo budista: O Nirvana/Despertar transcende os conceitos e todas as possibilidades do discurso, ou seja, todo o afirmar, negar, afirmar e negar, nem afirmar nem negar algo de alguma coisa. É por isso que se fala de vacuidade da vacuidade, pois a vacuidade não é nem não é isto ou aquilo, como por exemplo o vazio, mas sim o "escapar a todos os pontos de vista" (Madhyamakakarikas, 13, 8), sem fazer disso um outro ponto de vista.