O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

quadras p´ra pulares

os mais altos pedestais
em que por vezes nos pomos
é para apagar sinais
da nossa altura de gnomos

13 comentários:

Paulo Borges disse...

Exactamente! Perfeito: sem tirar nem pôr.

Um Abraço

platero disse...

Paulo

a quadra, de hoje, é versão de outra similar de há muito tempo:

de tão altos pedestais
em que por vezes nos pomos
parecemos ser muito mais
pequenos do que o que somos

a quadra popular é aparentemente arte poética menor. Mas Agostinho e Pessoa cultivaram-na com a mestria própria das suas dimensões
de grandes criadores

abraço

Sereia* disse...

Caro Platero!!!

Quantas saudades!!!
magnífico regresso.

Um beijo de saudades da Sereia*

Volte mais vezes, por favor!
:)

Repente disse...

De citares Agostinho e Pessoa
alegre me não queixo
mas bem podias, amigo
recordar o António Aleixo

platini disse...

E porque não pulos p'ra enquadrares?

platero disse...

gente maravilhosa esta da Serpente. Pelo menos comenta. Nem que seja para expressar simpatia.

tenho um blog pessoal frequentado por autistas. O pessoal até vai lá. Mas vê - e cala.

aqui, é o que se lê:
a generosidade do timoneiro da Barca; o sorriso aberto, indisfarçável, de Sereia; o repentismo a-propósito de Repente;
o chuto de fora-de-área mas sempre certeiro de Platini...

a propósito: por que não Patalini
(de velho craque Patalino de "o Elvas")?

grande abraço a todos

Paulo Borges disse...

Caro amigo, ao ler o seu comentário não posso deixar de confessar que cresci a admirar Patalino, pois o meu pai era de Elvas e muito me falou dele!...

Grande abraço

Manhã Cinzenta disse...

Ai Platero, hoje só me ocorre isto:

"Em dias de tempestades e trovoadas,
o local mais seguro é perto do chefe...
Não há raio que o parta!"

Vergilio Torres disse...

E já agora... Mário de Cesariny, também ele poeta de quadras, sonetos, sextilhas e redondilhas, maiores e menores :)

Mas lembro-me de Aleixo, e não posso deixar de o citar... aquando de uns jogos florais onde participou e onde, dizem, terá improvisado uma quadra, muito ao seu género...

Ontem Rei, hoje sem trono
Cá ando outra vez na rua.
Entreguei a roupa ao dono
E a miséria continua.

A quadra, às vezes de uma depreciativa como género artístico de escrita, assume uma qualidade que grande parte de similares formatos linguísticos não apresentam... dizer muito, escreve muito pouco. A quadra como forma da síntese pura de conceitos com conteúdo de pensamento, sentimentos e demais infinitos:

Não é só na grande terra
que os poetas cantam bem:
os rouxinóis são da serra
e cantam como ninguém

Ser artista é ser alguém!
Que bonito é ser artista...
Ver as coisas mais além
do que alcança a nossa vista!

Amigo Platero, é aparentemente uma arte poética menor, mas no fundo julgo estar de acordo consigo, não a considerando como tal.

Um abraço fraterno!
Saudo as suas quadras P'ra pulares!

platero disse...

vergílio

acho que tinhamos chegado a uma plataforma de nos tratarmos por tu.
Bem como gostaria que toda esta simpática plêiade (é assim que se diz?)de colaboradores serpentários agisse de maneira idêntica, porra

Está bem, Vergílio?

Vergilio Torres disse...

Um abraço fraterno!
Saudo as tuas quadras P'ra pulares!

Porra! :)

Ora, Gaita! disse...

Sorrisos. Muitos.

JSL disse...

Uma quadra tão bonita
Abraça o bem bem e afasta o mal
Mas de todas a mais catita
É esta quadra de natal


Para todos: mil natais todos os dias