O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 19 de junho de 2010

Coisas de todos os dias. Limpar a casa

As prateleiras escuras não ajudam a disfarçar as camadas de poeira que devagar se instalam. Não sei dizer se o ritmo é diário. Faz uma semana que acordo cansada. Sento-me junto à mesa da sala. Se meu olhar descansar no chão vejo o pó a pairar quase no ar. Inverto a viagem e tento o tecto, mas a cervical queixa-se da postura inadequada. Uma vassoura, uma pá, em seguida um balde encharcado de detergente e uma esfregona deixariam no ar o cheiro de uma casa asseada. Faz uma semana que acordo cansada. Saio de casa apressada, tanta coisa a limpar do lado de fora!

Na rua uma casca de banana perdida. Curvo-me para apanhá-la e coloco-a no lixo.

A dona Albertina deve estar a chegar. Vai deixar a minha casa toda limpa. Se eu não estivesse assim tão cansada...

3 comentários:

platero disse...

bonito - excelente prosa

imagina essa poeira acumulada ao longo de um ano, pelo menos.Dava-lhe um badagaio

beijinho

Fausta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Coelacanto provoca maremoto disse...

nunca o disse antes mas admiro o teu estilo de escrita, muito expressivo.

abraço