O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 8 de março de 2010

Se a mão escreve com o tinteiro da alma
Logo prefiro uma escrita azul
Como o leopardo que pari em poema branco

Daqui em diante escreverei frutos
E com os dedos em chamas acenderei as palavras e as mulheres nas ramadas
Se me recolho como o verão se recolhe para ver entrar a chuva
É dia de dizer aos amigos que volto já e apagar distâncias
Se o sol abrisse uma loja em cada esquina a felicidade teria bons preços
E a cada instante cobria-se o precipício com valentia

Escrevo pelas manhãs porque é nas manhãs que a língua acorda
para o milagre
E saibam que não há fenómeno no fígado que derreto
quando o azul da tinta se acaba.

2 comentários:

Sereia* disse...

Bolas! Isto é mesmo maravilhoso de se ler!
Caramba! Parabéns!
Não há vez que aqui venha e que não fique completamente encantada com as palavras que aqui nos deixa na Serpente!

platero disse...

Sol parece que está mesmo tentado a abrir Loja nesta esquina do Inverno

abraço