O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 22 de março de 2010

vislumbre


O despertar do coração

A jugular do tempo

Rasgada pelo punhal dissonante da atenção

Ao rubro o sangue dos começos

Precipita-se em fios cálidos

No chão impossível da continuação

Baila em ritmos alucinantes

O que de dentro não tem exterioridade

Nem se aprisiona em masmorras egóticas

O mundo um incêndio a perdição em alada antecipação

Do que não haverá por não ter sido

E as flores serão flores

À noite as estrelas virão como sempre

Alvoradas distantes

Anunciar o presente

4 comentários:

Glimpse disse...

"À noite as estrelas virão como sempre
Alvoradas distantes
Anunciar o presente"
É lindo...

Beatriz Agulha disse...

Gosto muito da fotografia que acompanha o texto. No CCB, peça da Joana Vasconcelos (?)


Cumprimentos.

Paulo Feitais disse...

É da Joana Vasconcelos, sim. Uma obra que me fascinou principalmente por causa da forma como convivia com a luz.

:)

Rui Miguel Félix disse...

Vislumbre, da luz, em contraluz.

:)

Abraço