O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


domingo, 14 de março de 2010

Setembro dos Desgarrados

Sonhei com ela vezes sem conta. Lá o céu seguia colado ao meu coração. Os filhos eram de todos. E todos cuidavamos de todos. Era Setembro e eu sonhei com ela. A terra perdida - sempre a poente. O amor era salgado e salgava a nossa boca. Era Setembro e eu sonhei com ela. A terra dos desgarrados - de quem fugiu sempre a poente. Sonhei com ela tanto, que acreditei viver onde Canela e Petrónio descobriram como amam os casais apaixonados. Todos tinham filhos que eram de todos. Todos comiam o pão que era de todos. Em Setembro dos Desgarrados o céu segue colado ao coração - como se fosse um sonho.
Sonhei com ela - a terra onde existo.

Onde não se vai em busca de nada. Lá, onde tudo faz sentido.

1 comentário:

Paulo Borges disse...

É aí que verdadeiramente se vive! Belo texto.