O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


sábado, 6 de março de 2010

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“O que vês para além do firmamento do mar,
é o meu Reino,
que está para além do horizonte deste mundo”

6 comentários:

Rui Miguel Félix disse...

...

um sorriso.

Abraço

Fausta disse...

Não te despediste de mim. Compreendo. A pata parece estar partida.

Anaedera disse...

criatura,
real ou inventada,
Como diria Cecília Meireles, tudo em ti é uma ausência demorada.
Tu és uma despedida sempre pronta a cumprir-se.
Porque nunca te encontras em nada.

Fausta disse...

Perfeitamente.
Gostaria de ser presente como tu, rápida como tu, eterna como tu, encontrada como tu... Mas, sou feita de mortalidade diária e o desapego é a minha única salvação.

Anaedera disse...

Observa,
Só consigo ser o que dizes,
que sou,
aonde nos encontrarmos.
Tu e Eu
Nó e os Outros.
Dizes bem,
na eternidade, na fluência
e na perfeição do Encontro.
Só tento lá estar,
tento lá chegar.
Aonde tu e os outros estão.
Sozinha,
qual pobre folhinha, caída no chão!

Fausta disse...

Ob serva?
De que fantasmas teus me invocas?

Não há encontros. Só gente sobreposta, incoincidente, conjuntos de -1 a fingir de +1. Interesses… com outras palavras opacas na frente. Ando em treinos intensos de “estar sem ser”. Mas o meu objectivo é nem sequer estar. Às vezes, em segredo, já sou capaz. Não estou. Olhos nos olhos, a língua a falar e eu, em viagem. Os ouvidos é que me traem. Preciso de ouvir para poder repetir. Mais complicado. Como ouvir, sem escutar? Tenho de arranjar uma solução. E rapidamente. Não estar, não ser e ainda assim continuar funcional. Isso é que é! Um olho no burro e outro no cigano. Cegamente. Uma cisão perfeita, fresta pela qual pretendo evadir-me dos dois rumo à felicidade.