O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

desnorte


Desfaço-me na brisa e rocha impura broto além

Feito de maresia e alegria pura sou o mesmo e ninguém

Nem homem já nem o que seja que se veja

E se queira frente a um espelho

Giesta e cascalho adormecido por fora

Aluvião do fundo do rio sem destino nem paragem

nem miragem nem real

Todo o deserto e toda a planura

A terra escura debaixo do chão

Canção de pedra que ampara as vozes dos perdidos

Campo de sortes e catedral

De muitas mortes rasgado largado na imensidade

Com medo da claridade que há lá bem no fundo

3 comentários:

Rasputine disse...

No fundo das coisas haverá poesia?

Damien disse...

No "fundo" das coisas, as coisas serão ainda coisas?...

E estará a poesia nas coisas, ou em algo que as perpassa e porventura nelas repousa, porque esteja no olhar de quem as olha e por elas passa, e assim as olha porque elas o olhassem?

Sereia* disse...

Céu e Terra
ambos nos (des)orientam

Belo poema, Paulo.
Belo*