O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

-regresso-

Regressando a Anaedera...

Finalmente e após inúmeros tempos e espaços, regressávamos a casa.
Como que renascidos de várias quedas, deslizes, pedradas, embates...
aprendizagens apenas.
Cansados, mais velhos e esquecidos, mas afinal novos e mais jovens de memório e espírito.
Tínhamos reconhecido que aprendemos.

Tantos seres, espécies, almas e afins. Tudo nos tinha parecido oposto, diferente, novo e agora depois, no regresso, observamos que eramos nós, apenas isso.
Como se nunca tivessemos saído.

Mas a Casa é sempre diferente. Parecía-nos agora estendida, alargada.
Algumas memórias vieram connosco, outros vieram eles mesmos em ser e essência.
Nós estavamos diferentes, reconhecidos e maiores. Mas iguais.

Prepavamos apenas o regresso, só isso, como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivessemos partido.

Viajamos, novamente.

2 comentários:

Luiza Dunas disse...

Muito bonito, Anaedera. Preparar o regresso "como se" nada tivesse acontecido.

Anaedera disse...

Como se a mudança fosse só uma pequena viagem, com volta.
Obrigada