O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

escreve com absurdos
com palavras Bêbedas ou não
com palavras vindas do altar
escreve com ganância
como quem pare a noite
e vem devolver o desejo
a quem o viu nascer

escreve com fogo na voz
e incendeia os lábios
de quem não ousa dizer

escreve como quem ama
a sua própria nudez
e sê inteiramente criança
a falar sem falar
a sonhar toda a noite
em cada asa
está um parapeito
para que olhes
a linha
que não é linha
eu e tu
única pessoa
a olhar de dentro
pela persiana do mundo

vomita de ti o ser mais delirante
despe-te
e escreve nua
porque eu quero um poema nu
somos o que a vida nos trouxe
e o amor perpétuo em cima da cabeça de um anjo mudo
sonha comigo nesta realidade
canta o azul enquanto é verde
cria o rio neste meu deserto
que eu tenho barco e remos
e um sopro para dar na vela
deixo-te neste meu cais peitoral
com voz esmigalhada
escreve o dom de morrer
a certeza que seremos eternamente
um sol em nossas mãos

escreve com loucura sempre em pé
com letras terrivelmente belas
e sorri
como se aprendesses o verbo
e um sonho invadisse a tua garganta
que não é garganta
é o caminho que estou
dá-me um beijo
enquanto escreves

3 comentários:

rmf disse...

Escreve!

Abraço

Fausta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
platero disse...

Gosto

gostava muito de ter escrito

abraço