O CAMINHO DA SERPENTE

"Reconhecer a verdade como verdade, e ao mesmo tempo como erro; viver os contrários, não os aceitando; sentir tudo de todas as maneiras, e não ser nada, no fim, senão o entendimento de tudo [...]".

"Ela atravessa todos os mistérios e não chega a conhecer nenhum, pois lhes conhece a ilusão e a lei. Assume formas com que, e em que, se nega, porque, como passa sem rasto recto, pode deixar o que foi, visto que verdadeiramente o não foi. Deixa a Cobra do Éden como pele largada, as formas que assume não são mais que peles que larga.
E quando, sem ter tido caminho, chega a Deus, ela, como não teve caminho, passa para além de Deus, pois chegou ali de fora"

- Fernando Pessoa, O Caminho da Serpente

Saúde, Irmãos ! É a Hora !


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Enquanto desço estas ladeiras
dou por mim de novo a descer estas ladeiras.
E novamente reparo e me lembro do esquecimento,
o esquecimento que lembra o todo
e me recorda da gota e do leito que me torna sem retorno
rio, céu, nuvem, algodão
setembro, flor e entardecer,
rumo onde pousa e se descobre uma borboleta branca a adejar nas amoras silvestres,
aroma quente de maças na terra onde tombam em húmus e repasto para os pássaros,
todos os abrigados pelos trevos, líquenes e hortelãs
tudo,
tudo o que se levanta e oculta como o voo do melro e a manhã e o verde das folhas das videiras em insondáveis rubros,
tudo o que me encontra, inflama e jamais se guarda.

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