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sábado, 2 de janeiro de 2010
domingo, 13 de dezembro de 2009
Dono do mundo?

(foto de Botelho)
"[...] cada vez mais o homem se tem posto e considerado [...] no mundo como o dono do mundo, com o direito de destruir os animais e as plantas, de escravizar os irmãos homens, de transformar a vida inteira nalguma coisa que não tem outro fim senão o de sustentar a sua vida material"
- Agostinho da Silva
terça-feira, 13 de outubro de 2009
reflexão
não estou seguro de nada, embora esteja igualmente seguro, ainda que daí não retire nenhuma vantagem, de que ninguém tem aqui o direito de estar seguro do que quer que seja.
sábado, 3 de outubro de 2009
"Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo"
"Dizer que a obra de arte faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida.
[...] Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.
[...] Esta lógica é íntima, interior, consequente consigo própria, necessária, fiel a si mesma. Se em frente do esplendor do mundo nos alegramos com paixão, também em frente do sofrimento do mundo nos revoltamos com paixão. O facto de sermos feitos de louvor e protesto testemunha a unidade da nossa consciência"
- Sophia de Mello Breyner Andresen, "Posfácio", in Livro Sexto, Lisboa, Caminho, 2006, pp.73-74.
[...] Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.
[...] Esta lógica é íntima, interior, consequente consigo própria, necessária, fiel a si mesma. Se em frente do esplendor do mundo nos alegramos com paixão, também em frente do sofrimento do mundo nos revoltamos com paixão. O facto de sermos feitos de louvor e protesto testemunha a unidade da nossa consciência"
- Sophia de Mello Breyner Andresen, "Posfácio", in Livro Sexto, Lisboa, Caminho, 2006, pp.73-74.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Mundo
Existem mundos escuros sem luz mas existem mundos piores. Onde não há luz, não há sofrimento: o mundo é uma mistura de amor e sofrimento; mesmo a luz encerra a escuridão interior que perpassa o mundo na sua potência. De facto, o mundo é uma mistura de uma exterioridade que propriamente não existe, e da interioridade que perpassa aquilo que é aparente. Nunca ninguém sai da sua própria interioridade e tudo é interior. Tudo é sentido. O próprio Nada para lá disso é sentido. Vento. Cada ser consciente de si vive num mundo sentido particular - o seu - e se Krishna é uno e múltiplo assim também é o mundo. No fundo, o mundo é uma mistura de interioridades que existem no Nada, sendo elas o infinito de Sempre. O próprio Sempre. O Sempre é este fluxo intemporal, sem tempo, supra-eterno, desde sempre e para sempre, de entes aparecendo e desaparecendo no Jogo do Tempo: desde sempre e para sempre muitos que são um - arquetípicos, existentes ou prototípicos. O Nada é sentido como a escuridão para lá do movimento de todas as coisas. O movimento de todas as coisas é o Sempre. O Sempre é o Tudo. O Tudo é simplesmente tudo. Tudo é tudo o que é actual. Tudo o que é, é actual - não existem entes potenciais. Um ente em potência é um ente que não existe. E tudo o que existe é este acto uno constituído por multiplicidades, diferenciações. Ao longo do tempo. Um único movimento desde sempre e para sempre, uma orquestra da Eternidade tocando uma sinfonia com as suas harmonias e desarmonias, aparecendo, sendo e desaparecendo, quem sabe se reaparecendo a tempos. Isso é o Mundo. Para lá dele existe algo sem nome, indefinível e desconhecido. Uma escuridão que para muitos em muitos momentos é Luz e Refúgio. Precisamos dela por causa da maneira como o mundo é. A verdade nem sempre é preferível à mentira. A alienação é uma causa pela qual vale a pena lutar em certos momentos, como os de grande sofrimento. Nesses momentos, é preferível senão necessário que nos alienemos de tudo para escapar ao sofrimento. Morfina. (Precisamos de Deus. Deus é a Escuridão que protege e dá força, o Refúgio escuro onde estamos protegidos, e a Luz da Salvação para quem acredita na Salvação. Nós e o mundo somos de maneira tal que precisamos de Deus; de tal maneira é o nosso Fado.) Refúgio. Isso é Deus.
terça-feira, 16 de junho de 2009
polir a lente
'a mons sens,voyez-vous,les artistes, les savants, les philosophes semblent trés affairés à polir des lentilles. tout cela n'est que vastes préparatifs en vue d'um évenement qui ne se produit jamais. un jour la lentille sera parfaite; et ce jour-là, nous perceverons tous clairement la stupéfiante, l'extraordinaire beauté de ce monde'
henry miller, citado em 'spinoza, philosophie pratique', gilles deleuze
tentativa,verdadeiramente tentativa, de tradução
Para mim,vejam bem, os artistas, os sábios, os filósofos aparentam estar muito ocupados a polir as lentes. fazem preparativos para algo que não se produz. um dia a lente será perfeita por si; e nesse dia apreenderemos a estonteante, a extraordinária beleza deste mundo.
henry miller, citado em 'spinoza, philosophie pratique', gilles deleuze
tentativa,verdadeiramente tentativa, de tradução
Para mim,vejam bem, os artistas, os sábios, os filósofos aparentam estar muito ocupados a polir as lentes. fazem preparativos para algo que não se produz. um dia a lente será perfeita por si; e nesse dia apreenderemos a estonteante, a extraordinária beleza deste mundo.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Aos Peregrinos
Já era tarde quando andei pelas ruas da cidade, vendo os templos e os monumentos do império e toda a sua vaidade, vendo as janelas se fecharem, as famílias se reunirem ao redor da mesa, os filhos calados e os pais também. Tomei o caminho para fora da cidade até o lugar onde um riacho com água fresca e uma árvore de eucalipto acompanham a alma confundida e os olhos pensativos contemplando o sol-pôr. Mas quando cheguei já me esperava um homem velho com cabelo branco e barba, deitado em baixo da árvore me chamando para falar que precisava de falar para as jovens da cidade e de todas cidades do arquipélago.
«Venha e senta ao meu lado para ver o sol-pôr e para pensar. Você é jovem, tem pernas jovens e parece que as ruas da cidade não te importam tanto, nem as lojas, nem os templos e nem os monumentos feitos de pedra. Você ainda é carne, osso e sangue e teu sangue corre tão fresco como este riacho, mas porque voltas toda noite e não segues os múltiplos caminhos da tua vida. Eu na minha vida sempre fui um peregrino, sempre andei de um templo para o outro, para os templos que não são de pedra mas sim, como você, de carne e sempre queria aprender mais do que uma língua, pois as línguas são as chaves para as almas. E sabe porque fui assim até agora e sempre serei assim se não fosse o meu corpo envelhecido? Porque a minha história é uma história de peregrinos, de marujos, de pastores saindo das montanhas e das vinhas e das igrejas e mosteiros para enfrentar o mar, para ir além do horizonte além das aldeias velhas e pequenas. E nas igrejas e mosteiros o que se aprende? Aprende se amar e estudar. E nas montanhas com o rebanho e nas vinhas, o que se aprende? Aprende se o que é a liberdade e aprende guiar, aprende ser companheiro e aprende sonhar. Isto, você vai precisar quando fores viajar e conhecer o mundo – ser livre e companheiro, saber guiar e amar, e quando um dia alguém não te agrada segue o teu caminho ou aprenderá amar ainda mais. Eu sei que também não fui perfeito, nunca fui um bom pai e nem um bom marido, pois pais e maridos não podem ser companheiros e nunca estão livres. E quando encontras uma mulher que desejas não casa com ela, mas seja um companheiro que ama tanto quanto possível e que respeita. E enfim não fala do amor que houve, do amor que tem para os que foram antes ou que vem depois, pois amor é para dar e para ter, mas nenhuma língua pode explicar o que é na verdade o amor. Então viaja pelo mundo como um peregrino e eu espero que facas muitos amigos que querem viajar também no mesmo sentido mas não no mesmo caminho e não seja nunca um guerreiro pois os guerreiros matam mas os peregrinos não. Sei que todos nos temos ou somos o nosso próprio campo de batalha, que já fizemos muitas guerras, algumas ganhado outros perdido, mas isto é com nos e não com os outros. Com os outros seja sempre alguém que dar quanto pode, sem querer receber nada de volta, nada mais do que tudo, que é o casamento da liberdade com o sonho numa esfera plena de amor…parece uma utopia, eu sei, mas como não pensar utópico enquanto homem, somente os animais e os deuses não pensam em utopias.»
«Podia dizer mais, mas o tempo está curto hoje e assim te digo três coisas para o seu futuro movimento. Primeiro: sempre ama quando possível e quando não podes amar tanto quanto queres ou deverias, toma o teu caminho e procura o próximo lugar para fazer os outros sentir e para sentir mesmo este casamento da liberdade com o sonho. Segundo: Nunca seja guerreiro e nunca tenta convencer ninguém. Se queres que alguém aprende o que você já sabe e que precisa ser multiplicado, ama simplesmente. Não mata, faça crianças em todos os sentidos e não tenha medo das doenças mentais ou corporais. Na maioria das vezes somente podem te fazer mais forte e quanto mais forte você é menos doenças vão tomar conta de você. E se um dia houver uma doença que te vai matar e você sabe que esta doença chegou com amor, não lamenta - pois somente as doenças que vem da raiva fazem chorar. Terceiro: Tenta viajar quando possível, na historia e nos sonhos, nos livros e na escritura e sempre novamente em novos caminhos. E forma um grupo de peregrinos, muitos peregrinos espreito pelo mundo, indo e voltando para fazer os outros sentir o seu novo evangelho da liberdade e do sonho, peregrinos que não precisam muito…mas que precisam seguir este velho ditado: navegar é preciso, viver não.»
quem quer corrigir agradeço: dirk.hennrichATgmx.ch
«Venha e senta ao meu lado para ver o sol-pôr e para pensar. Você é jovem, tem pernas jovens e parece que as ruas da cidade não te importam tanto, nem as lojas, nem os templos e nem os monumentos feitos de pedra. Você ainda é carne, osso e sangue e teu sangue corre tão fresco como este riacho, mas porque voltas toda noite e não segues os múltiplos caminhos da tua vida. Eu na minha vida sempre fui um peregrino, sempre andei de um templo para o outro, para os templos que não são de pedra mas sim, como você, de carne e sempre queria aprender mais do que uma língua, pois as línguas são as chaves para as almas. E sabe porque fui assim até agora e sempre serei assim se não fosse o meu corpo envelhecido? Porque a minha história é uma história de peregrinos, de marujos, de pastores saindo das montanhas e das vinhas e das igrejas e mosteiros para enfrentar o mar, para ir além do horizonte além das aldeias velhas e pequenas. E nas igrejas e mosteiros o que se aprende? Aprende se amar e estudar. E nas montanhas com o rebanho e nas vinhas, o que se aprende? Aprende se o que é a liberdade e aprende guiar, aprende ser companheiro e aprende sonhar. Isto, você vai precisar quando fores viajar e conhecer o mundo – ser livre e companheiro, saber guiar e amar, e quando um dia alguém não te agrada segue o teu caminho ou aprenderá amar ainda mais. Eu sei que também não fui perfeito, nunca fui um bom pai e nem um bom marido, pois pais e maridos não podem ser companheiros e nunca estão livres. E quando encontras uma mulher que desejas não casa com ela, mas seja um companheiro que ama tanto quanto possível e que respeita. E enfim não fala do amor que houve, do amor que tem para os que foram antes ou que vem depois, pois amor é para dar e para ter, mas nenhuma língua pode explicar o que é na verdade o amor. Então viaja pelo mundo como um peregrino e eu espero que facas muitos amigos que querem viajar também no mesmo sentido mas não no mesmo caminho e não seja nunca um guerreiro pois os guerreiros matam mas os peregrinos não. Sei que todos nos temos ou somos o nosso próprio campo de batalha, que já fizemos muitas guerras, algumas ganhado outros perdido, mas isto é com nos e não com os outros. Com os outros seja sempre alguém que dar quanto pode, sem querer receber nada de volta, nada mais do que tudo, que é o casamento da liberdade com o sonho numa esfera plena de amor…parece uma utopia, eu sei, mas como não pensar utópico enquanto homem, somente os animais e os deuses não pensam em utopias.»
«Podia dizer mais, mas o tempo está curto hoje e assim te digo três coisas para o seu futuro movimento. Primeiro: sempre ama quando possível e quando não podes amar tanto quanto queres ou deverias, toma o teu caminho e procura o próximo lugar para fazer os outros sentir e para sentir mesmo este casamento da liberdade com o sonho. Segundo: Nunca seja guerreiro e nunca tenta convencer ninguém. Se queres que alguém aprende o que você já sabe e que precisa ser multiplicado, ama simplesmente. Não mata, faça crianças em todos os sentidos e não tenha medo das doenças mentais ou corporais. Na maioria das vezes somente podem te fazer mais forte e quanto mais forte você é menos doenças vão tomar conta de você. E se um dia houver uma doença que te vai matar e você sabe que esta doença chegou com amor, não lamenta - pois somente as doenças que vem da raiva fazem chorar. Terceiro: Tenta viajar quando possível, na historia e nos sonhos, nos livros e na escritura e sempre novamente em novos caminhos. E forma um grupo de peregrinos, muitos peregrinos espreito pelo mundo, indo e voltando para fazer os outros sentir o seu novo evangelho da liberdade e do sonho, peregrinos que não precisam muito…mas que precisam seguir este velho ditado: navegar é preciso, viver não.»
quem quer corrigir agradeço: dirk.hennrichATgmx.ch
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Ser Universal
Quando falo e sou eu, não falo e sou pelos outros, mas por mim, sendo que eu já sou os outros, não preciso, nem me é possível, tornar-me naquilo que eu já sou. O dia existe sendo a noite, assim, eu existo sendo os outros, pois os outros eram já o que eu era antes de me revelar. Não há oposição, há apenas revelação do que antes já havia - como no desenvolvimento de um feto ou da semente de uma planta.
Tudo o que existe hoje no mundo existe desde o princípio, a passagem do tempo está apenas a revelar o que encoberto ainda há, até que totalmente se descubra e se crie como ser universal que é.
A Terra, como Plan-e-ta que cresce, desenvolve-se naturalmente, por si, e como ela o ser humano, ao ser uno com ela. A influência do consciente -i-solado- do Homem sobre si próprio é igual à do consciente da flor sobre si mesma, que, como não o tem, é nenhuma.
Tudo o que existe hoje no mundo existe desde o princípio, a passagem do tempo está apenas a revelar o que encoberto ainda há, até que totalmente se descubra e se crie como ser universal que é.
A Terra, como Plan-e-ta que cresce, desenvolve-se naturalmente, por si, e como ela o ser humano, ao ser uno com ela. A influência do consciente -i-solado- do Homem sobre si próprio é igual à do consciente da flor sobre si mesma, que, como não o tem, é nenhuma.
domingo, 10 de agosto de 2008
O mundo* ao contrário
A Escola, tal como a sociedade, não está organizada para seres cujas mentes nasceram de corpos, mas para seres cujos corpos nasceram de-mentes.
|*O O-limpo é o próprio mundo*, o qual significa limpo, quando este nascer como tal. Os Jogos Olímpicos ainda não começaram... os Xutos estão certos, o mundo é ainda imundo.|
|*O O-limpo é o próprio mundo*, o qual significa limpo, quando este nascer como tal. Os Jogos Olímpicos ainda não começaram... os Xutos estão certos, o mundo é ainda imundo.|
domingo, 13 de abril de 2008
a vida resume-se a um «sim ou não»?
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Que assim seja
Tudo o que conhecemos é mental, porque é conhecido exclusivamente através da mente. Assim, a mente é mediadora entre o eu e o mundo. Mas o que é o eu? Para mim, podendo estar errado, o eu é o equivalente àquilo a que os antigos ou outros chamam alma que, assim entendida, existe. Mas talvez esteja errado; porque talvez o eu seja o conjunto das experiências que vivo e guardo na memória, sendo esta uma parte da mente, se esta sequer as tem. Ou talvez possamos escolher, e o eu seja aquela parte de nós, se sequer as temos, que acolhemos como nossa, com a qual mais nos identificamos... passada, presente ou imaginada. Acima de tudo, mais do que sabermos o que são o eu ou a mente, penso que temos a explêndida oportunidade, porquanto estamos vivos, e a vida tem esplendorosos esgares de luminosidade, de os vivermos, experimentando-os. Que assim seja, meus amigos.
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
O substrato
O eu é o substrato da mente. A mente é o substrato do mundo. O eu é o substrato do mundo.
Mas o que é a mente?
O que é a mente? Eis uma das mais complicadas questões de todos os tempos que, porventura, terá uma das respostas mais simples de sempre. Não sei a resposta. Posso apenas tentar, de acordo com a minha experiência.
Tenho, por várias vezes, pensado sobre o eu, tendo chegado à conclusão, que aceito com cepticismo, de que é aquilo que está para lá das consciências, como que aquilo que é por elas afectado. Será a mente algo mais, um substrato (por exemplo do mundo), ou mera ferramenta?
Quando falo em consciências, falo em percepções, sentimentos, memórias, imaginações, em suma, tudo aquilo que é magicado, suponhamos, pelo eu através da mente. Assim, a mente seria mera ferramenta do eu, na medida em que é através dela que uma série de fenómenos, visíveis (como as percepções, o mundo aí fora) ou invisíveis (como os sentimentos, as memórias, as imaginações, os desejos... não obstante estes poderem ter uma face sensível), ocorrem.
Mas o que é a mente? É uma questão que deixo em aberto, na exacta medida em que não sei a resposta. Será uma plataforma, um ponto de contacto, de vivência e de capacidade de viver e de actuar, entre o eu e o mundo?
Tenho, por várias vezes, pensado sobre o eu, tendo chegado à conclusão, que aceito com cepticismo, de que é aquilo que está para lá das consciências, como que aquilo que é por elas afectado. Será a mente algo mais, um substrato (por exemplo do mundo), ou mera ferramenta?
Quando falo em consciências, falo em percepções, sentimentos, memórias, imaginações, em suma, tudo aquilo que é magicado, suponhamos, pelo eu através da mente. Assim, a mente seria mera ferramenta do eu, na medida em que é através dela que uma série de fenómenos, visíveis (como as percepções, o mundo aí fora) ou invisíveis (como os sentimentos, as memórias, as imaginações, os desejos... não obstante estes poderem ter uma face sensível), ocorrem.
Mas o que é a mente? É uma questão que deixo em aberto, na exacta medida em que não sei a resposta. Será uma plataforma, um ponto de contacto, de vivência e de capacidade de viver e de actuar, entre o eu e o mundo?
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Antologia do Padre António Vieira - I - Teologia e Filosofia
“Deus é Senhor de tudo: mas de que modo ? De tal modo, que para si não quer nada, e tudo o de que é Senhor, é para nós. Antes de Deus criar o mundo, tinha alguma coisa fora de si ? Nada; porque não havia nada. E depois do mundo criado, teve mais alguma coisa de novo ? Para si o mesmo nada que antes; mas para nós e para o homem tudo […]” – Sermões, XIII, p.191.
“[falando do Juízo Final] […] em um momento se abrirão os processos, e ficarão manifestas e patentes as vidas de todos, sem haver obra, palavra, omissão, nem pensamento, por mais secreto e oculto, que ali não seja público; vendo todos as consciências de todos, todos a de cada um, e cada um a sua” – Sermão da Primeira Dominga do Advento [1652], Sermões, I, p.63.
“Todas as grandes mudanças de estados que se vêem e têm visto neste mundo, sempre vário e inconstante, não são outra coisa que um perpétuo jogo do supremo poder que o governa: Ludit in humanis Divina potentia rebus” – Sermões, XIII, p.252.
“Os pensamentos são os primogénitos da alma; sempre se parecem à origem donde nasceram: assim como ninguém é o que cuida de si, assim é certo que cada um é o que cuida dos outros. Há uns pensamentos que nascem pelo que entra pelos sentidos; e há outros que nascem do que se considera com o discurso: os que são filhos dos sentidos, parecem-se com os objectos, os que são filhos do discurso, parecem-se com o sujeito, cada um costuma discorrer como costuma obrar; e o que cuida o que os outros hão-de fazer, é o que ele fizera; as obras e as imaginações dos homens não têm mais diferença que serem umas por dentro, outras por fora; as obras são imaginações por fora, as imaginações são obras por dentro” – Sermão nas Exéquias do Sereníssimo Infante de Portugal Dom Duarte, Sermões, XV, p.214.
“Que mal filosofaram da dor e do amor, os que lhe deram por defensivo a ausência ! Quem armou o amor com arco e não com espada, quis dizer que na distância seria mais; o amor não é união de lugares, senão de corações; a dor na presença reparte-se entre os sentidos, na ausência recebe-se só na alma, e toda é alma; a dor na presença tem o assistir, tem o servir, tem o ver, tem a mesma presença por alívio; a dor na ausência toda é dor” - Sermão nas Exéquias do Sereníssimo Infante de Portugal Dom Duarte, Sermões, XV, p.262.
“Que pouco disse quem chamou ao amor tão forte como a morte: Fortis ut mors dilectio ! A morte sepulta os que matou, o amor sepulta sem matar, que é género de morrer mais forte, mais duro, mais triste” - Palavra de Deus Empenhada no Sermão das Exéquias da rainha D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, Sermões, XV, p.329
“Pôs Deus a Adão no Paraíso com obrigação de que o cultivasse e guardasse: […] de quem havia de guardar Adão o Paraíso ? De quem o não guardou. Havia-o de guardar de si mesmo. E porque Adão o não guardou de Adão, sendo os bens que possuía todos os do mundo, ele mesmo, e só ele se despojou de todos, sem haver outro que lhe impedisse o lográ-los” – Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.69.
“Antes de haver meu e teu, havia amor, porque eu amava-vos a vós e vós a mim: mas tanto que o meu e teu se meteu de permeio, e se atravessou entre nós, logo se acabou o amor; porque vós já me não amais a mim, senão o meu, nem eu vos amo a vós, senão o vosso. No princípio do mundo, como gravemente pondera Séneca, porque não havia guerras ? Porque usavam os homens da terra como do céu. O sol, a lua, as estrelas e o uso da sua luz é comum a todos e assim era a terra no princípio: porém depois que a terá se dividiu em diferentes senhores, logo houve guerras e batalhas e se acabou a paz, porque houve meu e teu” – Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.70.
“Mais inventaram e fizeram os homens a este mesmo fim de conservar cada um o seu. Inventaram e firmaram leis, levantaram tribunais, constituíram magistrados, deram varas às chamadas justiças, com tanta multidão de ministros maiores e menores, e foi com efeito tão contrário, que em vez de desterrarem os ladrões, os meteram das portas a dentro, e em vez de os extinguirem, os multiplicaram: e os que furtavam com medo e com rebuço, furtam debaixo de provisões, e com imunidade. O solicitador com a diligência, o escrivão com a pena, a testemunha com o juramento, o advogado com a alegação, o julgador com a sentença, e até o beleguim com a chuça, todos foram ordenados para conservarem a cada um no seu, e todos por diferentes modos vivem do vosso” - Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.71.
“Porque assim como no Sacramento tanto recebe um, como todos, e tanto recebem todos, como cada um; assim na glória tanto logram todos, como cada um, e tanto cada um, como todos. Cá na terra, como há a divisão de meu a teu, cada um logra os seus bens, mas não participa os dos outros: porém no céu os próprios e os dos outros, tanto são comuns de todos, como particulares de cada um, porque lá não tem lugar esta divisão” - Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.76.
“O céu é uma república imensa, mas onde todos se amam: e está lá a caridade tanto no auge da sua perfeição, que todos, e cada um, amam tanto a qualquer outro, como a si mesmo” - Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.80.
“De sorte que a cidade da glória no pavimento, nas paredes, e no interior dos aposentos, toda é um espelho de oiro; porque todos perpetuamente se vêem a si mesmos, todos vêem a todos, e todos vêem tudo. Nada se esconde ali; porque lá não há vício, nada se encobre; porque tudo é para ver; nada se recata, ou dificulta; porque tudo agrada; e porque tudo é amor, tudo se comunica.
[…] esta é, senhores, a cidade da glória […]: e basta que fosse assim como se descreve, para ser merecedora das nossas saudades, e que fizéssemos mais do que fazemos, por ir viver nela” – Sermão da Segunda Dominga da Quaresma (1651), Sermões, III, pp.36-37.
“Grande é o ódio que os homens têm à idade em que nasceram. […] Tudo o moderno desprezam, só o antigo veneram e acreditam. Ora desenganem-se os idólatras do tempo passado, que também no presente pode haver homens tão grandes como os que já foram, e ainda maiores” – Sermão de São Pedro [1644], Sermões, VII, p.320.
“Considerai-me o mundo desde seus princípios e vê-lo-eis sempre, como nova figura no teatro, aparecendo e desaparecendo juntamente, porque sempre passando” – Sermão da Primeira Dominga do Advento, Sermões, I, p.104.
“A razão deste curso, ou precipício geral com que tudo passa, não é uma só, senão duas: uma contrária a toda a estabilidade e outra repugnante ao mesmo ser. E quais são ? O tempo, e antes do tempo, o nada. Que coisa mais veloz, mais fugitiva, e mais instável que o tempo ? Tão instável, que nenhum poder, nem ainda o divino, o pode parar. […]
E como o tempo não tem, nem pode ter consistência alguma, e todas as coisas desde seu princípio nasceram juntamente com o tempo, por isso nem ele, nem elas podem parar um momento, mas com perpétuo moto, e revolução insuperável passar, e ir passando sempre.
A segunda razão ainda é mais natural e mais forte: o nada. Todas as coisas se resolvem naturalmente, e vão buscar com todo o peso, e ímpeto da natureza o princípio donde nasceram. […] Assim todas as coisas deste mundo, por grandes e estáveis que pareçam, tirou-as Deus com o mesmo mundo do não ser ao ser; e como Deus as criou do nada, todas correm precipitadamente, e sem que ninguém lhes possa ter mão, ao mesmo nada de que foram criadas” - Sermão da Primeira Dominga do Advento, Sermões, I, p.113.
“Tu quis es ? Quanto ao espiritual, ninguém há no mundo que possa responder a esta pergunta. Cada um de nós espiritualmente é o que há-de ser; o que há-de ser cada um, ninguém o sabe; e assim não há ninguém que possa responder com certeza à pergunta: Tu quis es ?” - Sermão da Terceira Dominga do Advento, Sermões, I, p.200.
“Este mundo é um teatro, os homens as figuras que nele representam, e a história verdadeira de seus sucessos uma comédia de Deus, traçada e disposta maravilhosamente pelas idades de sua Providência” - Livro Anteprimeiro da História do Futuro, p.110.
“Mais gosto de ver em Roma as ruínas e desenganos do que foi, que a vaidade e variedade do que é, e com isto me parece o mundo muito estreito e a minha cela muito larga […]. Hoje começam as máscaras do Carnaval, em que eu digo as tiram, porque verdadeiramente mostram que não são por dentro o que parecem por fora”- Carta ao marquês de Gouveia [1671], Cartas, II, pp.316-317.
“[falando do Juízo Final] […] em um momento se abrirão os processos, e ficarão manifestas e patentes as vidas de todos, sem haver obra, palavra, omissão, nem pensamento, por mais secreto e oculto, que ali não seja público; vendo todos as consciências de todos, todos a de cada um, e cada um a sua” – Sermão da Primeira Dominga do Advento [1652], Sermões, I, p.63.
“Todas as grandes mudanças de estados que se vêem e têm visto neste mundo, sempre vário e inconstante, não são outra coisa que um perpétuo jogo do supremo poder que o governa: Ludit in humanis Divina potentia rebus” – Sermões, XIII, p.252.
“Os pensamentos são os primogénitos da alma; sempre se parecem à origem donde nasceram: assim como ninguém é o que cuida de si, assim é certo que cada um é o que cuida dos outros. Há uns pensamentos que nascem pelo que entra pelos sentidos; e há outros que nascem do que se considera com o discurso: os que são filhos dos sentidos, parecem-se com os objectos, os que são filhos do discurso, parecem-se com o sujeito, cada um costuma discorrer como costuma obrar; e o que cuida o que os outros hão-de fazer, é o que ele fizera; as obras e as imaginações dos homens não têm mais diferença que serem umas por dentro, outras por fora; as obras são imaginações por fora, as imaginações são obras por dentro” – Sermão nas Exéquias do Sereníssimo Infante de Portugal Dom Duarte, Sermões, XV, p.214.
“Que mal filosofaram da dor e do amor, os que lhe deram por defensivo a ausência ! Quem armou o amor com arco e não com espada, quis dizer que na distância seria mais; o amor não é união de lugares, senão de corações; a dor na presença reparte-se entre os sentidos, na ausência recebe-se só na alma, e toda é alma; a dor na presença tem o assistir, tem o servir, tem o ver, tem a mesma presença por alívio; a dor na ausência toda é dor” - Sermão nas Exéquias do Sereníssimo Infante de Portugal Dom Duarte, Sermões, XV, p.262.
“Que pouco disse quem chamou ao amor tão forte como a morte: Fortis ut mors dilectio ! A morte sepulta os que matou, o amor sepulta sem matar, que é género de morrer mais forte, mais duro, mais triste” - Palavra de Deus Empenhada no Sermão das Exéquias da rainha D. Maria Francisca Isabel de Sabóia, Sermões, XV, p.329
“Pôs Deus a Adão no Paraíso com obrigação de que o cultivasse e guardasse: […] de quem havia de guardar Adão o Paraíso ? De quem o não guardou. Havia-o de guardar de si mesmo. E porque Adão o não guardou de Adão, sendo os bens que possuía todos os do mundo, ele mesmo, e só ele se despojou de todos, sem haver outro que lhe impedisse o lográ-los” – Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.69.
“Antes de haver meu e teu, havia amor, porque eu amava-vos a vós e vós a mim: mas tanto que o meu e teu se meteu de permeio, e se atravessou entre nós, logo se acabou o amor; porque vós já me não amais a mim, senão o meu, nem eu vos amo a vós, senão o vosso. No princípio do mundo, como gravemente pondera Séneca, porque não havia guerras ? Porque usavam os homens da terra como do céu. O sol, a lua, as estrelas e o uso da sua luz é comum a todos e assim era a terra no princípio: porém depois que a terá se dividiu em diferentes senhores, logo houve guerras e batalhas e se acabou a paz, porque houve meu e teu” – Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.70.
“Mais inventaram e fizeram os homens a este mesmo fim de conservar cada um o seu. Inventaram e firmaram leis, levantaram tribunais, constituíram magistrados, deram varas às chamadas justiças, com tanta multidão de ministros maiores e menores, e foi com efeito tão contrário, que em vez de desterrarem os ladrões, os meteram das portas a dentro, e em vez de os extinguirem, os multiplicaram: e os que furtavam com medo e com rebuço, furtam debaixo de provisões, e com imunidade. O solicitador com a diligência, o escrivão com a pena, a testemunha com o juramento, o advogado com a alegação, o julgador com a sentença, e até o beleguim com a chuça, todos foram ordenados para conservarem a cada um no seu, e todos por diferentes modos vivem do vosso” - Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.71.
“Porque assim como no Sacramento tanto recebe um, como todos, e tanto recebem todos, como cada um; assim na glória tanto logram todos, como cada um, e tanto cada um, como todos. Cá na terra, como há a divisão de meu a teu, cada um logra os seus bens, mas não participa os dos outros: porém no céu os próprios e os dos outros, tanto são comuns de todos, como particulares de cada um, porque lá não tem lugar esta divisão” - Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.76.
“O céu é uma república imensa, mas onde todos se amam: e está lá a caridade tanto no auge da sua perfeição, que todos, e cada um, amam tanto a qualquer outro, como a si mesmo” - Sermão da Segunda Dominga da Quaresma, Sermões, III, p.80.
“De sorte que a cidade da glória no pavimento, nas paredes, e no interior dos aposentos, toda é um espelho de oiro; porque todos perpetuamente se vêem a si mesmos, todos vêem a todos, e todos vêem tudo. Nada se esconde ali; porque lá não há vício, nada se encobre; porque tudo é para ver; nada se recata, ou dificulta; porque tudo agrada; e porque tudo é amor, tudo se comunica.
[…] esta é, senhores, a cidade da glória […]: e basta que fosse assim como se descreve, para ser merecedora das nossas saudades, e que fizéssemos mais do que fazemos, por ir viver nela” – Sermão da Segunda Dominga da Quaresma (1651), Sermões, III, pp.36-37.
“Grande é o ódio que os homens têm à idade em que nasceram. […] Tudo o moderno desprezam, só o antigo veneram e acreditam. Ora desenganem-se os idólatras do tempo passado, que também no presente pode haver homens tão grandes como os que já foram, e ainda maiores” – Sermão de São Pedro [1644], Sermões, VII, p.320.
“Considerai-me o mundo desde seus princípios e vê-lo-eis sempre, como nova figura no teatro, aparecendo e desaparecendo juntamente, porque sempre passando” – Sermão da Primeira Dominga do Advento, Sermões, I, p.104.
“A razão deste curso, ou precipício geral com que tudo passa, não é uma só, senão duas: uma contrária a toda a estabilidade e outra repugnante ao mesmo ser. E quais são ? O tempo, e antes do tempo, o nada. Que coisa mais veloz, mais fugitiva, e mais instável que o tempo ? Tão instável, que nenhum poder, nem ainda o divino, o pode parar. […]
E como o tempo não tem, nem pode ter consistência alguma, e todas as coisas desde seu princípio nasceram juntamente com o tempo, por isso nem ele, nem elas podem parar um momento, mas com perpétuo moto, e revolução insuperável passar, e ir passando sempre.
A segunda razão ainda é mais natural e mais forte: o nada. Todas as coisas se resolvem naturalmente, e vão buscar com todo o peso, e ímpeto da natureza o princípio donde nasceram. […] Assim todas as coisas deste mundo, por grandes e estáveis que pareçam, tirou-as Deus com o mesmo mundo do não ser ao ser; e como Deus as criou do nada, todas correm precipitadamente, e sem que ninguém lhes possa ter mão, ao mesmo nada de que foram criadas” - Sermão da Primeira Dominga do Advento, Sermões, I, p.113.
“Tu quis es ? Quanto ao espiritual, ninguém há no mundo que possa responder a esta pergunta. Cada um de nós espiritualmente é o que há-de ser; o que há-de ser cada um, ninguém o sabe; e assim não há ninguém que possa responder com certeza à pergunta: Tu quis es ?” - Sermão da Terceira Dominga do Advento, Sermões, I, p.200.
“Este mundo é um teatro, os homens as figuras que nele representam, e a história verdadeira de seus sucessos uma comédia de Deus, traçada e disposta maravilhosamente pelas idades de sua Providência” - Livro Anteprimeiro da História do Futuro, p.110.
“Mais gosto de ver em Roma as ruínas e desenganos do que foi, que a vaidade e variedade do que é, e com isto me parece o mundo muito estreito e a minha cela muito larga […]. Hoje começam as máscaras do Carnaval, em que eu digo as tiram, porque verdadeiramente mostram que não são por dentro o que parecem por fora”- Carta ao marquês de Gouveia [1671], Cartas, II, pp.316-317.
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